expresso.ptexpresso.pt - 14 fev 14:20

Arménio na despedida: “valeu a pena”, mas “só com a luta lá chegaremos”

Arménio na despedida: “valeu a pena”, mas “só com a luta lá chegaremos”

Começou quase sem voz, mas acabou o seu último discurso como secretário geral da CGTP aos gritos de “a luta continua”. O Congresso de despedida de Arménio Carlos do comando da CGTP é, também um adeus à geringonça. O Governo de António Costa já não tem o benefício da dúvida. O tempo é de regresso ao combate

"O que falta na voz, é o que sobra na força e na confiança." Rouco e quase afónico, foi assim que começou o último discurso de Arménio Carlos como secretário geral da CGTP. Um arranque difícil mas, o certo é que, ao longo dos quase 40 minutos de intervenção, o líder sindical foi ganhando fôlego e projeção de voz. E acabou mesmo a gritar bem alto que "a luta continua".

E foi mesmo um discurso de combate. Em cada minuto que passava, Arménio falava da "luta" ou de como a central sindical se preparava para "lutar", travar "batalhas" ou entrar em combate. Os tempos da esperança nas potencialidades da geringonça acabou com o último mandato cumprido por Arménio Carlos à frente da CGTP. Na altura, o líder ainda acreditava num "salto qualitativo" com a nova maioria parlamentar de esquerda a comandar os destinos do Parlamento. "Valeu a pena", admitiu agora, mas a verdade é que "ficou muito aquém" do que a central sindical desejava.

No rol de queixas está, acima de tudo, a legislação laboral, mas também a falta de investimento nos serviços públicos e a promessa adiada de aumento geral de salários. O Governo passou de potencial aliado a adversário confesso. "Perante a cedência do Governo à política gasta de direita", que toma a "opção seguidista dos ditames de Bruxelas" e se alia "ao patronato mais retrógrado" o mote deixado por Arménio Carlos é de combate activo.

"Aqui, na CGTP ninguém atira a toalha ao chão", disse o líder na despedida. A central sindical de maioria comunista "prefere estar sozinha" do que em más companhias políticas. O mote é manter a unidade interna. "Se é verdade que não conseguimos tudo, sem a luta não conseguiríamos nada", concluiu. As greves, manifestações e protestos seguem já a seguir. Março começará já a ser o mês para aquecer os motores da contestação da CGTP.

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