expresso.ptexpresso.pt - 14 fev 18:24

“O modelo de negócio das Big Tech está a destruir a economia e a democracia”

“O modelo de negócio das Big Tech está a destruir a economia e a democracia”

Gigantes tecnológicos como o Facebook e a Google prosperam num ambiente que promove a desinformação, alimenta o discurso de ódio e está a ameaçar a democracia e a economia, alerta o Prémio Nobel da Economia de 2018. Para travá-los, é preciso começar a taxar os anúncios digitais direcionados, propõe Paul Romer. Leia a reportagem “A revolta contra as Big Tech”, este sábado, na Revista do Expresso

O enorme sucesso de empresas como o Facebook e a Google assenta num modelo de negócio que vigia os passos dos cidadãos, usa os seus dados pessoais para criar anúncios personalizados e favorece a desinformação e os conteúdos mais extremistas. Para pôr fim a este “capitalismo de vigilância” é preciso forçar estas empresas a adotar um modelo de negócio mais saudável, assente não na publicidade digital mas na subscrição dos serviços, alerta Paul Romer, que em 2018 dividiu o Nobel da Economia com William Nordhaus, pelos seus métodos para garantir um crescimento económico sustentável. A sua proposta para travar o monopólio das Big Tech? Criar um imposto especial sobre as receitas da publicidade direcionada, que usa os dados pessoais dos utilizadores para criar anúncios personalizados.

Se há aspeto em que estes gigantes tecnológicos são tão bons quanto a recolher os nossos dados pessoais é a evitar impostos. Acredita que vai ser diferente com este?

Acredito porque o que propomos é um imposto de consumo [como o IVA] sobre as receitas da publicidade direcionada. Isto é importante, porque a maior parte da fuga fiscal que menciona é relativa ao imposto sobre o rendimentos das empresas [equivalente ao IRC]. O problema com esse imposto é que as empresas podem colocar as receitas num lugar e os custos noutro lugar, e, como o lucro é a diferença entre as receitas e os custos, fica difícil apurar onde foi obtido esse lucro. Se houver diferentes jurisdições que pretendem taxar esses lucros, as empresas podem movimentá-los para outras jurisdições usando vários mecanismos de contabilidade. Esse problema não existe com um imposto sobre as receitas da publicidade digital. Sabemos onde é que as empresas mostraram determinado anúncio, sabemos quanto é que receberam por isso, portanto é fácil identificar a receita. Não há forma de a empresa alegar que foi obtida noutro lugar. É precisamente por essa razão que proponho este imposto e não um que incida sobre os lucros da empresa: esse deixa demasiado espaço para o tipo de fuga que mencionou. É algo que já começa a ser implementado. O estado de Maryland está a propor um imposto como o que eu defendo.

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