eco.sapo.pteco.sapo.pt - 14 fev 07:00

Como o calendário pode ajudar a mascarar o PIB da Zona Euro

Como o calendário pode ajudar a mascarar o PIB da Zona Euro

Bruxelas vê o euro a estabilizar, com as novas previsões a apontarem para um crescimento de 1,2% em 2019, 2020 e 2021. Mas os números escondem um calendário que dá mais dias ao PIB deste ano.

A Comissão Europeia apresentou uma Zona Euro estável a crescer 1,2% em cada um dos anos entre 2019 e 2021. Mas nas entrelinhas deixou um aviso: o calendário deste ano na Alemanha — o motor do euro –, mas também noutros países, ajuda a mostrar um PIB mais gordo. Sem este efeito, o PIB crescia apenas 1%.

Esta estabilidade mascara um contributo importante do efeito de calendário em 2020, que é um ano bissexto com um número particularmente elevado de dias de trabalho em vários Estados-membros”, diz a Comissão nas previsões intercalares de inverno publicadas esta quinta-feira. Este efeito já tinha sido considerado em previsões anteriores. Face ao outono, as previsões para a Zona Euro mantiveram-se iguais para este ano e o próximo.

Numa nota metodológica, Bruxelas explica com maior detalhe que efeito calendário é este e como ele é tratado por quem faz previsões económicas na Comissão. “O número de dias de trabalho varia de ano para ano” e “as previsões da Comissão para o PIB anual não são ajustadas do número de dias de trabalho”, ao contrário do que acontece nas previsões trimestrais.

“É estimado que o efeito do número de dias de trabalho na União Europeia (UE) e na Zona Euro seja limitado em 2019 e em 2021”, o que resulta numa diferença de cerca de 0,1 pontos percentuais entre a taxa de crescimento do PIB ajustada dos dias de trabalho e a taxa de crescimento do PIB não ajustada. Para a Comissão esta é uma diferença “marginal”.

Mas este ano, o impacto do calendário na economia é outro. “Em 2020, um número mais elevado de dias de trabalho na Alemanha e noutros países proporciona a criação de um efeito positivo de calendário excecionalmente forte”, justifica a Comissão, acrescentando que a previsão não ajustada para o PIB (os 1,2%) “é mais elevada do que a previsão ajustada do calendário para 2020 em aproximadamente 1/4 pontos percentuais na Zona Euro”.

Ou seja, sem este impulso de calendário a economia do euro cresce 1% (que resulta do arredondamento de 0,95%), em vez de 1,2%.

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