eco.sapo.pteco.sapo.pt - 14 fev 07:00

OPA à TVI em risco de derrapar. Ainda falta ok da CMVM

OPA à TVI em risco de derrapar. Ainda falta ok da CMVM

Desde que Cofina e Prisa chegaram a acordo que ambas apontaram o fecho a operação até final de março. Mas o processo está a atrasar-se, não tendo sido ainda aprovado o prospeto do aumento de capital.

Foi no final de setembro que a Cofina chegou a acordo com a Prisa para comprar a Media Capital, depois de ter fracassado a tentativa feita, anos antes, pela Altice. Desde então, mesmo com todas as autorizações necessárias para a operação avançar, tanto a empresa liderada por Paulo Fernandes como os espanhóis agendaram para este primeiro trimestre a conclusão do negócio. Mas há o risco crescente de haver uma derrapagem, isto porque ainda não há “luz verde” da CMVM para o aumento de capital que tem de ser realizado antes da OPA.

A compra da dona da TVI pela detentora de títulos como o Correio da Manhã, Sábado ou Jornal de Negócios teve de passar pelo crivo dos reguladores, desde a Anacom à ERC, até chegar depois à Autoridade da Concorrência. Em todos eles, o processo de concentração foi validado, permitindo à Cofina avançar com o processo para o regulador do mercado, tanto para o reforço de capital que necessita para comprar a TVI por um valor de 205 milhões de euros, como para a posterior OPA que retirará os cerca de 5% do capital da Media Capital da Euronext Lisbon.

Já depois de entregue o anúncio preliminar de OPA à Media Capital, e tendo sido aprovado o aumento de capital em assembleia geral, a Cofina enviou para o regulador do mercado de capitais o prospeto do aumento de capital. Logo na altura em que anunciou a operação, revelou que 70% do valor já estava assegurado, tendo mais recentemente o Abanca anunciado publicamente que iria também participar, visando 10% do capital da empresa de media de Paulo Fernandes.

Este prospeto do aumento de capital está há 15 dias na CMVM sem que tenha sido dada ainda “luz verde”, sabe o ECO. O regulador, liderado por Gabriela Figueiredo Dias, tendo recebido o documento, pode colocar questões à parte interessada, o que pode arrastar o processo. É isso que estará na base da “demora” no “ok” ao prospeto. E isto porque este aumento de capital não é um fim em si, sendo o objetivo a obtenção de fundos para a posterior OPA.

A CMVM tem salientado a sua rapidez nestes processos, tendo mesmo conseguido dar uma resposta num prazo, “em média, de 3,9 dias úteis para prospetos de oferta pública de distribuição, incluindo ofertas de ações”. Este prazo refere-se, contudo, à primeira reação, podendo essa ser a de colocar questões, o que dilata o prazo. Questionada, a CMVM não faz qualquer comentário relativamente ao andamento do processo de aprovação do prospeto do aumento de capital. Fonte oficial da Cofina também não.

Esta “luz verde” terá de surgir rapidamente sob pena de o negócio derrapar. É que mesmo tendo a Cofina o processo de captação de fundos praticamente resolvido, será preciso ainda algum tempo para o processo com a compra em si. Depois do aumento de capital, o regulador terá também de aprovar o prospeto da OPA. Mesmo sendo mínimo o número de ações da Media Capital no mercado, haverá, como habitualmente, um período de cerca de duas semanas para que os investidores aceitem a OPA que, neste caso, é de 2,3336 euros por ação — mesmo que o auditor independente tenha apontado para apenas 1,90 euros.

Com este período para a OPA no mercado, a menos que a CMVM desbloqueie o processo na próxima semana, Paulo Fernandes arrisca a só conseguir selar o negócio de compra da TVI já à entrada do segundo trimestre. Pode haver uma “escorregadela” no calendário que tem reflexos no negócio, tendo em conta o contexto concorrencial que a estação de Queluz de Baixo enfrenta.

A TVI tem vindo a perder audiência para a SIC que completou recentemente 12 meses de liderança, apresentando um share já acima dos 20%. Esta perda de audiência permitiu à Cofina poupar 50 milhões no negócio com os espanhóis da Prisa — inicialmente a operação teria um custo global de 255 milhões, tendo baixado para 205 milhões –, mas a Cofina quer tomar as rédeas do negócio rapidamente, evitando uma deterioração adicional. Para ajudar a impulsionar a estação terá o Euro 2020 que a TVI garantiu junto da Sport TV.

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