expresso.ptexpresso.pt - 14 fev 11:45

Contestação à exploração de lítio em destaque na agência Reuters

Contestação à exploração de lítio em destaque na agência Reuters

Duas jornalistas da agência Reuters foram até Boticas fazer uma reportagem - hoje publicada - sobre a contestação crescente às explorações de lítio. Dizem que o Governo pode estar numa situação difícil pois tem de optar entre apoiar as populações ou as aspirações das empresas mineiras

A exploração do lítio em Portugal está hoje em destaque a nível internacional, com uma reportagem publicada pela agência Reuters.

As jornalistas Victoria Waldersee e Catarina Demony foram ao concelho de Boticas, onde falaram com algumas populações, que se queixam das centenas de furos que algumas empresas mineiras já estão a fazer em redor de algumas aldeias.

Os locais temem pela alteração total do seu modo de vida [se as minas de lítio se tornarem realidade] e confessam que se as atuais formas de sustento forem subvertidas dificilmente encontrarão futuro noutro lugar.

A Reuters nota que as empresas mineiras estão ansiosas para explorar as 60.000 toneladas de reservas de lítio já identificadas em Portugal, ma que terão de contar com os habitante locais – dos sítios já identificados com potencial de mineração - determinados a preservar seus direitos sobre a terra e interromper a exploração do lítio.

“Isso coloca o governo minoritário numa situação difícil”, refere a reportagem da Reuters. É que, prossegue, a crescente oposição à exploração de lítio por grupos locais, que possuem e administram comunitariamente áreas rurais, pode significar que as empresas mineiras acabem por ficar num impasse e procurem apoio do Governo para expropriar as terras onde pretende intervir.

As manifestações contra a exploração de lítio já realizadas em Lisboa também terão repercussões, segundo a Reuters, além fronteiras. É que as reservas de lítio em Portugal até podem ser modestas em comparação com as da Austrália ou do Chile, os maiores produtores mundiais de lítio, “mas Portugal é central na tentativa da Europa de reduzir a dependência de importações de lítio”.

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