expresso.ptexpresso.pt - 16 jan 13:45

Avoila quer aumentos no Estado de “90 euros por mês: nem um cêntimo a menos”

Avoila quer aumentos no Estado de “90 euros por mês: nem um cêntimo a menos”

No último discurso como líder da Federação Nacional de Sindicatos da Administração Pública, Ana Avoila deixou claro que o caminho é de choque frontal com o Governo. A discussão do OE é o pretexto para convocar os trabalhadores para a luta. “É demais, camaradas. Isto não pode continuar”, disse a sindicalista na hora da despedida

Foi com um discurso muito duro que Ana Avoila, a líder da maior federação de sindicatos da Função Pública, se despediu da direção daquela estrutura. Na abertura do Congresso que a irá substituir como coordenadora, a sindicalista não poupou nas palavras e usou expressões como "farsa", "insulto" ou "roubo" para descrever algumas das propostas do Governo de António Costa. O tempo é de combate direto. Contas feitas, os anos de geringonça foram de "múltiplos perigos para os direitos dos trabalhadores" e, no caso dos funcionários do Estado, acabaram com "uma mão cheia de coisa nenhuma", diz Avoila.

Um retrato negro do estado de Portugal e do mundo, com os "países subjugados às regras dos bancos e à usura do capitalismo" e as políticas públicas cada vez mais próximas do "neoliberalismo e da visão economicista". É assim que Ana Avoila faz o ponto de situação, no discurso de abertura do XII Congresso da federação que dirige há 16 anos.

E, nem mesmo os últimos anos, com a chegada ao poder de um Governo suportado pelos partidos de esquerda parece ter contribuído para mudar substancialmente este cenário. "Nos últimos quatro anos, fruto da luta dos trabalhadores, foi possível a reposição de rendimentos", admite Avoila. No entanto, não foram tudo rosas. "Foram anos de profundas contradições e de múltiplos perigos para os direitos dos trabalhadores, para o movimento sindical e para o desenvolvimento da luta", assume.

"Nós sabemos que o PS não muda", avisa a sindicalista que passa a desfiar os campos em que o Governo de Costa deixou mais a desejar. "Para os trabalhadores da administração pública temos uma mão cheia de coisa nenhuma", o programa de integração dos trabalhadores precários (PREVPAV) "foi uma grande farsa", "as leis laborais mudaram para pior" e a "proposta dos chamados aumentos salariais de 0,3% foi um insulto".

"Só a luta poderá alterar esta proposta de OE para 2020", deixa bem claro a dirigente sindical, que até tem números para contrapor. "O que o Governo propõe são aumentos de cêntimos por dia. O que nós exigimos são 90 euros por mês: nem um cêntimo a menos".

A bitola está alta, mas a motivação para o combate acompanha-a. "Não há derrotas quando firme é o passo", diz para terminar, sublinhando que "aos trabalhadores nunca nada foi dado. Só a nossa luta nos garante direitos".

Os trabalhos do Congresso da Federação terminam amanhã e já tomará a palavra Sebastião Santana, que aos 36 anos fica com a tarefa de substituir a dirigente histórica. Arménio Carlos, líder da CGTP - e também ele de saída - encerrará o Congresso que decorre em Braga.

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