expresso.ptexpresso.pt - 16 jan 14:13

António José Seguro anda por aí. “A pergunta que mais tenho ouvido é 'quando é que volta?'”

António José Seguro anda por aí. “A pergunta que mais tenho ouvido é 'quando é que volta?'”

O ex-líder do PS diz que não está nos seus horizontes “nem próximos, nem longínquos” regressar à política activa. Mas “irreversível só a morte”. António José Seguro deu uma entrevista pela primeira vez em cinco anos

A resposta surge logo na primeira pergunta feita pelo "Jornal do Fundão", que conseguiu a primeira entrevista ao homem que há cinco anos, depois de ter perdido o PS para António Costa, está calado. António José Seguro afastou-se da "outra encarnação", como chama à vida política que teve, mas esse afastamento é "irreversível"? Seguro foge a decisões irrevogáveis, que já queimaram outros, e admite que não está nos seus "horizontes" um regresso, mas que pode voltar a ser uma possibilidade.

"Acho que nada na vida é irreversível, a não ser a morte. Não sou hipócrita a dizer: 'Nunca, jamais, em tempo algum'. Agora, não está nos horizontes, nem mais próximos nem mais longínquos. Hoje faço outras coisas, mas também não direi: 'Nunca, jamais, em tempo algum', respondeu.

António José Seguro saiu de cena e reencarnou noutra vida que não a política. O bichinho continua lá, garante, só que agora acredita que pode contribuir para a sociedade de outra maneira. Essa "opção de vida" causou estranheza a muitos, conta, e por isso, nos últimos anos foi alvo de muitas interpelações: "Nos últimos anos a pergunta que mais tenho ouvido talvez seja: 'Quando é que volta? Quando é que fala ou quando é que diz alguma coisa?'. Mas, isso tem que ver com as opções de vida", resume.

A opção de vida levou-o a sair de Lisboa e voltar para Penamacor onde gere um negócio turístico de cinco casas e de vinhos. Agora quer ir mais longe, juntar à equação a agricultura e "lançar-se no azeite". "Entendo que se pode servir o país tanto na vida política e pública, como na vida empresarial ou na vida universitária e académica". Vivendo no interior do país, Seguro defende a regionalização - que "é um meio e não um fim" - e políticas para o interior que passem por concluir a ligação pelo IC31 para Madrid e uma "redução drástica de impostos", para que as empresas se fixem no interior.

A saída abrupta deu-se depois de ter sido desafiado por António Costa a ir a diretas no partido, depois de Seguro, à frente do PS, ter vencido as eleições europeias de 2014. Costa considerou o resultado "poucochinho" e avançou para a liderança do partido. Ganhou as diretas e Seguro desapareceu. A guerra intestina socialista deixou marcas ao antigo líder que diz, no entanto, já as ter ultrapassado: "Sou uma pessoa muito bem resolvida com tudo aquilo que se passou", conta.

Agora na sombra, diz que não mudou de princípios e valores, quer uma "política ao serviço das pessoas", uma "política feita com transparência" com "princípios e com rigor". Palavras que diz não serem um recado para ninguém.

Nesta primeira conversa, acredita que o tempo lhe deu razão em algumas coisas, nomeadamente na "política dos afetos" tão colada ao Presidente Marcelo Rebelo de Sousa: "Recordo-me muito que na época em que eu liderava o PS e em que eu falava da política dos afetos, eu era quase ‘açoitado’ na praça pública porque os afetos não tinham nada a ver com a política. Mas pronto, mudam-se os tempos mudam-se as vontades". Perante essa semelhança presidencial, os jornalistas perguntam-lhe se concorrer para a Presidência da República não é uma hipótese. O antigo líder socialista chuta para canto, dizendo que já o apontaram para várias presidências [da Câmara da Guarda, da Câmara de Penamacor], mas que agora as suas preocupações são outras: "Antes de pensar nessas coisas todas, agora penso é em pagar o empréstimo bancário que fiz por causa destas casas e de continuar com este projeto empresarial", responde.

Será que depois desta aparição, António José Seguro vai começar a andar por aí?

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