eco.sapo.pteco.sapo.pt - 16 jan 00:01

“Portugal vai continuar a ser a base da operação da Frulact”

“Portugal vai continuar a ser a base da operação da Frulact”

A Frulact foi vendida à Ardian "por boas razões", afirma João Miranda ao ECO. O gestor vai continuar, para já, como chairman da empresa e garante que Portugal vai continuar a ser a base do grupo.

A portuguesa Frulact, empresa familiar fabricante de ingredientes naturais para a indústria alimentar e de bebidas, foi comprada pela Ardian, sociedade de investimentos com sede em França. Liderada até agora por João Miranda, a Frulact conta atualmente com mais de 750 trabalhadores, operando em nove unidades industriais na Europa, África e América do Norte. Esta empresa portuguesa vende os seus produtos em mais de 40 países, tem um volume de negócios perto de 115 milhões de euros e lucros de 4,9 milhões de euros em 2019. Em entrevista por escrito ao ECO, João Miranda explica a decisão de venda, e garante que a operação da Frulact em Portugal continuará a ser a base de operação do grupo. E o que é que João Miranda vai fazer? “É verdade que necessito de desassossego. É do desassossego que me alimento diariamente”.

Porque é que a Frulact foi vendida?

As empresas são vendidas, por norma, por uma de duas razões – ou boas ou más. No nosso caso, foi por boas razões, o que nos deixa a todos, nessa perspetiva contentes. A família sempre teve uma postura pragmática em relação à abertura a capital externo ou à sua completa alienação. A postura sempre foi, se chegar o momento em que a Frulact necessite de algo relevante para o seu futuro, que outros possam fazer mais que nós, não haverá dúvidas em vender.

Qual foi o valor da operação?

A família prefere manter o valor sob sigilo, pois pensamos que o mais importante, é mesmo o futuro da Frulact e dos Frulacteanos, e esse ficou garantido nesta operação. O apetite pela Frulact é antigo e, em 2019, recebemos várias propostas que declinamos. A proposta da Ardian não foi a melhor em termos financeiros para os acionistas, mas encaixou de forma geométrica naquelas que eram as necessidades do projeto e a nossa visão para o futuro do mesmo.

Quais são os projetos futuros que exigiam esta operação?

Temos contemplado no nosso plano estratégico, desde 2015, que a Frulact deveria transformar-se num fornecedor global de ingredientes de valor acrescentado. Efetuamos o esforço de entrada nos aromas alimentares, com o FRUSENSES, e também na área do Plant-based, com a compra da 5ensesInFood. Ambos os projetos estão a ter um comportamento fantástico. Há, no entanto, necessidade de evoluir mais rápido, acrescentando novos negócios que incorporem novos ingredientes e, para tal, é necessário ter capacidade de financeira, que definitivamente não temos, ou capacidade de endividamento, que também não temos.

A Ardian veio oferecer-nos isso mesmo. Transformar a Frulact numa plataforma agregadora de novas aquisições, que serão integradas no universo Frulact, e serão geridas pela atual equipa de gestão, e pelos Frulacteanos, que merecem essa confiança pelo seu ‘track-record’.

Há novas áreas de desenvolvimento em perspetiva?

A nova equipa de gestão irá, seguramente, passada que seja esta fase, projetar o futuro e os próximos passos com mais certezas, alinhada com o objetivo desta aquisição por parte da Ardian, ou seja, alargar a oferta de ingredientes de valor acrescentado, através de novas aquisições.

Os novos donos vão manter a equipa de gestão?

A valorização atingida pela Frulact nesta operação, deveu-se em grande parte ao reconhecimento da qualidade da gestão, mas também de toda a estrutura de recursos humanos do Grupo Frulact. A equipa de gestão é um dos maiores ativos da Frulact, pois é com eles que a Ardian conta para operacionalizar o projeto de aquisições de negócios que incorporem ingredientes de valor acrescentado que se seguirá e da sua integração no universo Frulact.

Portugal continuará a ser a sede da empresa?

Continuará a ser a sede, para além de continuar a ser a base de todas as operações atuais e futuras do Grupo. Esse know-how de gestão de serviços partilhados, a par da excelência dos nossos quadros, é também um modelo, que fixa de forma definitiva essas operações em Portugal.

Qual será o papel do João Miranda nesta transição?

Eu assumirei a função não executiva de Chairman. Serei um elemento sempre disponível para ajuda à decisão, junto da equipa de gestão e na identificação de alvos e opinião para as novas aquisições.

Vai manter-se ligado à empresa?

Irei manter-me ligado à empresa, enquanto sentir que sou útil à Frulact, aos Frulacteanos, e obviamente ao novo acionista.

E o que vai fazer a seguir? Que projetos profissionais se seguirão?

Neste momento, penso muito em desfrutar da família, pois a minha ausência por motivos profissionais ao longos destes 33 anos, fizeram-me perder fases, principalmente com os meus filhos, que quero compensar agora. Relativamente ao futuro profissional, tenho projetos próprios que já geria a par com o da Frulact, aos quais me irei agora dedicar mais, e seguramente que me sentirei atraído por outros desafios que irão surgir. É verdade que necessito de desassossego. É do desassossego que me alimento diariamente.

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