rr.sapo.ptrr.sapo.pt - 16 jan 11:25

Cientistas criam "cimento vivo" que consegue reparar as próprias fissuras

Cientistas criam "cimento vivo" que consegue reparar as próprias fissuras

“Parece mesmo um material de Frankenstein”, admite Wil Srubar, que liderou a investigação. "Se um destes tijolos for cortado ao meio, cada uma das metades consegue crescer e criar dois novos blocos", explica.

Um grupo de cientistas nos Estados Unidos criou um "cimento vivo" juntando areia e bactérias num material de construção capaz de se autorreproduzir, absorver dióxido de carbono e manter a resistência.

“Já usamos materiais biológicos nos edifícios, como a madeira, mas esses materiais não estão vivos", afirma o investigador Wil Srubar, da Universidade do Colorado e um dos autores do estudo publicado na revista científica "Matter", na quarta-feira.

Os cientistas acreditam que este novo material permitirá aos edifícios repararem as suas próprias fissuras, absorver toxinas do ar e até brilhar no escuro – característica que permitirá revelar danos estruturais nos edifícios.

“Parece mesmo um material de Frankenstein”, admite Wil Srubar, engenheiro de estruturas e líder do projeto de investigação.

A equipa de Srubar usou cianobactérias 'Synechococcus', micróbios verdes que absorvem dióxido de carbono para crescer e produzir carbonato de cálcio, o principal ingrediente do calcário e do cimento.

As colónias das bactérias são injetadas numa solução de areia e gelatina e o carbonato de cálcio acaba por solidificar a gelatina, que em conjunto com a areia forma um tijolo.

Desta forma, se cortarem um tijolo ao meio, conseguem que cada uma das metades cresça até darem origem a novos tijolos.

Entre as vantagens deste novo tipo de material está a capacidade de detetar e responder a produtos químicos tóxicos.

O seu uso generalizado poderá ainda reduzir as emissões de dióxido de carbono produzidas no fabrico de cimento – que, atualmente, representa 6% das emissões globais.

Além disso, este "cimento vivo" poderá vir ser utilizado em ambientes muito adversos, mais severos do que os desertos mais secos e em planetas como Marte. Esta é, contudo, uma vertente que ainda precisa de ser desenvolvida, uma vez que é necessário humidade para as bactérias sobreviverem.

Wil Srubar, que dirige o Laboratório de Materiais Vivos, acredita que, no futuro, os cientistas poderão tornar os micróbios mais resistentes à falta de água e que os ingredientes poderão ser vendidos desidratados, bastando juntar água para começar a fabricar "casas microbianas".

"A natureza arranja maneira de fazer muitas coisas de forma inteligente e eficaz, só precisamos de prestar mais atenção", defende, acrescentando que, "em ambientes austeros, estes materiais teriam um desempenho especialmente bom, dado que usam luz do sol para crescer".

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