ionline.sapo.ptVítor Rainho - 16 jan 08:51

O mistério do crime de Bragança

O mistério do crime de Bragança

Neste país de brandos costumes é natural que se tente atirar para debaixo do tapete as questões incómodas, mas o crime não pode ficar sem castigo.

O silêncio sobre o crime de Bragança começa a tornar-se ensurdecedor, depois de pessoas ligadas ao Instituto Politécnico, onde Luís Giovani estudava, terem dito a quem os quis ouvir que sabiam muito bem quem era o grupo que, supostamente, agrediu mortalmente o estudante cabo-verdiano. Como é possível, quase um mês depois, ainda ninguém ter sido interrogado? Os partidos que logo falaram num crime racista, por que razão agora nada dizem? Será que a verdade lhes é incómoda? Será que há quem possa viver acima da lei portuguesa? Se há matéria em que Portugal está bem servido é na investigação a casos de homicídio, embora, como seja natural, haja casos que ficam por resolver. É assim em Portugal e em todos os países do mundo. Só que este caso não se insere naqueles em que não há suspeitos. Eles existem, segundo os tais relatos, mas parece que ninguém quer “chatices” com o assunto. E não é bom para a democracia saber-se que o caso de um jovem assassinado em Lisboa, dias depois de Luís Giovani ter sido agredido, está em vias de ser resolvido – pelo menos, os suspeitos já foram detidos – e no caso de Bragança existir um silêncio total. Percebo que até pode nem haver grandes provas, mas quanto mais tempo passa, mais elas desaparecem. E é isso que não deixa de ser estranho: há suspeitos, supostamente identificados, mas ninguém é interrogado. Não seria de as autoridades policiais fazerem um comunicado a dizer que não estão a dormir? Afinal, quem está a ser protegido? O que teme a Polícia Judiciária para não conseguir fazer o seu trabalho? Tem medo de entrar em determinados bairros? Tem medo que os seus inspetores fiquem sem as armas se forem lá? Já agora, qual a razão para o SOS Racismo ter deixado de falar no assunto? Mistérios...

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