expresso.ptexpresso.pt - 16 jan 13:48

Jerónimo fala sobre fim da sua liderança no Programa da Cristina: “Não vai ser um problema no congresso”

Jerónimo fala sobre fim da sua liderança no Programa da Cristina: “Não vai ser um problema no congresso”

Secretário-geral do PCP surpreendeu: foi ao programa de Cristina Ferreira, na SIC, partilhou fotografias do casamento e falou brevemente das filhas. No fim, emocionou-se

A moda começou com Assunção Cristas e pegou: já praticamente todos os líderes de partidos com assento parlamentar se sentaram no sofá de Cristina Ferreira, na SIC, a conversar com a apresentadora. O último a aderir foi Jerónimo de Sousa, que, ao contrário do que é habitual, aceitou participar no programa, falou do seu percurso político mas também familiar e deixou pistas sobre a saída da liderança do PCP, adiantando que este “não vai ser um problema no congresso”.

As referências à sua continuação, ou não, como secretário-geral do partido surgiram já no final da conversa, quando Cristina Ferreira lhe perguntou se a saída estaria para breve. “Não conte com isso”, começou por responder Jerónimo, para depois esclarecer que com o fim da liderança não virá o fim da sua participação política: “Posso, quando muito, alterar responsabilidades, mas não altero o rumo do meu caminho - com certeza noutro contexto, noutro quadro. Devemos ter sempre a consciência de sermos nós a sair”.

Lembrando que “nada é eterno” mas que “a questão ainda não está colocada”, Jerónimo foi a seguir questionado sobre sucessores. Entre risos, acabou por responder: “Isso não vai ser um problema no congresso” que acontecerá ainda este ano.

O tópico foi puxado por Cristina Ferreira depois de Jerónimo ter falado sobre a morte - “Não gostava de morrer mas não me inquieta a morte” - e da vida, tanto a profissional como a pessoal. Numa mostra de abertura pouco habitual, o secretário-geral mostrou fotografias do casamento, que já dura há 54 anos; falou brevemente das filhas, que lhe dariam “a maior desilusão” se fossem do Bloco de Esquerda; e até partilhou um episódio com um dos filhos pequenos de António José Seguro, que, contou, o quis conhecer e cumprimentou com entusiasmo.

Mantendo que sempre fez questão de ficar “ligado à vida” além da política - e que continua a viver com o ordenado de metalúrgico, de perto de 900 euros, entregando o resto ao partido -, Jerónimo recordou os tempos em que chegou à Assembleia Constituinte e, perante os “doutores e especialistas em direito de trabalho”, impressionou com o seu conhecimento em primeira mão sobre as greves. “Continua a ser o operário”, sentenciou Cristina, descrevendo depois Jerónimo de Sousa como “uma instituição”. O líder comunista sorriu, visivelmente emocionado, e agradeceu.

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