expresso.ptexpresso.pt - 16 jan 08:20

Trump “sabia exatamente o que estava a acontecer” na pressão à Ucrânia para investigar Biden

Trump “sabia exatamente o que estava a acontecer” na pressão à Ucrânia para investigar Biden

A garantia é de Lev Parnas, um colaborador próximo de Rudy Giuliani, advogado pessoal do Presidente norte-americano. Parnas também implicou outros membros da Administração Trump: o procurador-geral, William Barr, “estava basicamente na equipa” e o ex-conselheiro de segurança nacional John Bolton também conhecia o esquema “a 100%”, assegurou

O Presidente dos EUA, Donald Trump, “sabia exatamente o que estava a acontecer” no esquema montado para pressionar as autoridades ucranianas a investigar o democrata Joe Biden. A revelação foi feita esta quarta-feira por Lev Parnas, um colaborador próximo de Rudy Giuliani, advogado pessoal de Trump, durante uma entrevista concedida à MSNBC.

Quando se encontrava na Ucrânia, a tentar pressionar Kiev em prejuízo de Biden e do filho Hunter Biden, Parnas fê-lo em nome de Trump e de Giuliani, acrescentou, com o seu advogado ao lado. “Eu estava no local a fazer o trabalho deles”, sublinhou.

Parnas também implicou outros membros da Administração na campanha de pressão sobre a Ucrânia: o procurador-geral, William Barr, “estava basicamente na equipa” e o antigo conselheiro de segurança nacional John Bolton também conhecia o esquema “a 100%”, garantiu.

Bolton disse recentemente que estaria disponível para testemunhar no julgamento de ‘impeachment’ no Senado se fosse intimado a fazê-lo.

Nota manuscrita sobre “caso Biden” entre documentos revelados

A extensão do envolvimento do Presidente no alegado esquema de pressão sobre Kiev estará no centro do julgamento político, que arranca na próxima semana. Trump nega ter cometido quaisquer irregularidades e classifica o processo de destituição presidencial como “uma farsa”.

Na terça-feira, os democratas da Câmara dos Representantes divulgaram uma série de documentos obtidos por Parnas, incluindo uma nota manuscrita para pedir ao Presidente da Ucrânia que investigasse “o caso Biden”. Nessa nota, cuja folha de papel foi retirada de um bloco do Hotel Ritz-Carlton, em Viena, pode ler-se: “Faça com que Zelenski anuncie que o caso Biden será investigado.”

Durante um telefonema em julho do ano passado, Trump pediu ao seu homólogo ucraniano, Volodymyr Zelenski, que investigasse o ex-vice-Presidente Joe Biden e o filho Hunter, que fez parte do conselho de administração da empresa ucraniana de gás Burisma.

Joe Biden é um dos democratas mais bem colocados para tentar travar a reeleição de Trump, apoiado pelo Partido Republicano, nas eleições de 3 de novembro nos EUA.

Entre os documentos está ainda uma captura de ecrã de uma carta, anteriormente não divulgada, de Giuliani a Zelenski, datada de 10 de maio de 2019, quando este não tinha ainda tomado posse como Presidente da Ucrânia. Na missiva, Giuliani solicita uma reunião com Zelenski na qualidade de “conselheiro pessoal do Presidente Trump e com o seu conhecimento e consentimento”.

Parnas acusa Trump de “mentir”: “Ele sabia exatamente quem eu era”

Os procuradores indicados para o ‘impeachment’ deverão apresentar durante o julgamento novas provas recentemente obtidas junto de Parnas.

No ano passado, Parnas e o seu parceiro de negócios, Igor Fruman, ambos cidadãos americanos que emigraram do antigo bloco soviético, foram indiciados por acusações de conspiração, declarações falsas e falsificação de registos. Os procuradores alegam que Parnas e Fruman fizeram enormes doações a causas republicanas após terem recebido milhões de dólares com origem na Rússia.

Trump tem insistido que não conhece Parnas nem Fruman. No entanto, fotografias publicadas por Parnas no Facebook mostram-no, a ele e ao seu parceiro, na companhia de Trump e do filho mais velho do Presidente. “É possível que eu tenha uma fotografia com eles porque eu tenho uma fotografia com toda a gente”, defendeu-se Trump. Mas Parnas acusa o Presidente de “mentir”: “Nós não víamos jogos de futebol juntos nem comíamos cachorros quentes. Mas ele sabia exatamente quem eu era.”

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