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A grande investigação

A grande investigação

Esta semana publicamos o primeiro de três capítulos de uma grande investigação à forma como o Alqueva – o maior investimento de sempre na agricultura portuguesa – acabou por beneficiar um pequeno grupo de investidores e alterar a região para sempre - Opinião , Sábado.
Habitante de Baleizão, no coração do território irrigado pelo Alqueva, o jornalista Paulo Barriga foi um espectador privilegiado da maior transformação agrária e paisagística ocorrida em Portugal no último século: a passagem do Alentejo de celeiro a lagar da nação, com a implantação desregrada e selvática da monocultura do olival. Uma transformação a que está associada uma série de consequências ambientais, económicas, sociais e até demográficas.

Esta semana publicamos o primeiro de três capítulos de uma grande investigação à forma como o Alqueva – o maior investimento de sempre na agricultura portuguesa – acabou por beneficiar um pequeno grupo de investidores e alterar a região para sempre
Era por isso natural que o tema lhe estivesse na cabeça quando se candidatou à bolsa de investigação jornalística atribuída pela Fundação Calouste Gulbenkian. Ao longo de um ano, entrevistou dezenas de protagonistas e especialistas e visitou fábricas, herdades e povoações para concluir que o Estado fez o maior investimento de sempre na agricultura portuguesa – 2,5 mil milhões de euros –, mas não tratou de pensar o dia seguinte ao fecho das comportas da barragem do Alqueva.

Sem uma política agrícola clara ou um plano de ordenamento rural, o Alqueva tornou-se um olival em contínuo que está na posse de meia dúzia de fundos financeiros e de grupos económicos multinacionais – aqueles que foram realmente os grandes beneficiários do investimento público. Uma grande investigação cujo primeiro de três capítulos faz a capa da SÁBADO desta semana.

Desperdício (quase) zero
Durante cinco dias, a jornalista Juliana Nogueira Santos tentou gerir a sua vida com uma premissa: desperdiçar o menos possível. Ela que já tinha substituído vários produtos de uso único no dia a dia, depressa percebeu que não deitar nada para o lixo – mesmo nada – era uma tarefa quase impossível. Para estar preparada, passou a carregar um kit com talheres, garrafas, sacos para compras, toalhas. Custou, mas não foi apanhada de surpresa em nenhum súper, bar ou restaurante –foi apenas olhada de lado, como quando pediu para lhe porem uma sandes num guardanapo de pano que tirou da mala. O maior desafio foi mesmo lidar com os outros. Numa ida ao médico, teve de tirar duas senhas e receber em mão as análises e receitas. Até nas lojas de produtos naturais lhe foram dadas faturas em papel. Tudo foi (ou vai) parar ao lixo.

A jornalista Sónia Bento com o embaixador José Bouza Serrano na sessão fotográfica para a entrevista, no Palácio das Necessidades

A infiltração
Com a informação de que Luís Graça, presidente da mesa da Assembleia da Convenção do Chega tinha passado pelo movimento neonazi Nova Ordem Social (NOS), de Mário Machado, o jornalista Alexandre R. Malhado foi tentar perceber se havia mais elementos da extrema-direita no partido de André Ventura. Conclusão: sim, havendo mesmo quem estabeleça um paralelismo com a forma como grupos de skinheads tomaram conta do PNR na primeira década de 2000.
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