ionline.sapo.ptMarta F. Reis - 15 jan 08:49

Um acórdão arrasador para a justiça

Um acórdão arrasador para a justiça

Não chega para fazer justiça, mas chega para questionar a justiça.

Seis anos depois da tragédia do Meco, foi conhecida ontem a decisão do Tribunal Europeu de Direitos Humanos (TEDH) sobre a queixa apresentada pelo pai de um dos jovens contra o Estado português. O acórdão é arrasador para a investigação do Ministério Público e enumera um conjunto de medidas urgentes que não foram tomadas, dando razão à família, que não se resignou que o caso não chegasse a julgamento. Nada lhes trará o filho de volta e não se alteram os factos que levaram a justiça a considerar que as vítimas eram adultos e sabiam o que faziam quando se puseram em perigo, mas qualquer Estado de direito devia envergonhar-se da lista de omissões apresentada pelo TEDH, que condena o Estado português a uma multa de 13 mil euros e torna evidentes as dúvidas sobre o que foi ou não feito para esclarecer o que se passou naquela noite. Segundo o acórdão, a casa onde os jovens estavam instalados não teve qualquer controlo de acessos nos dias que se seguiram ao incidente na praia. As perícias forenses no local só foram feitas a 11 de fevereiro de 2014, um mês e meio depois dos acontecimentos que culminaram na morte dos seis estudantes, sem que tivessem sido recolhidos objetos e outros elementos que potencialmente podiam ter sido importantes para a investigação. As roupas usadas pelo único sobrevivente naquela noite na praia, o dux que liderou a praxe, e o seu computador não foram de imediato apreendidos, o que só aconteceu a 7 de março.  

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