rr.sapo.ptOpinião de Francisco Sarsfield Cabral - 15 jan 06:35

​Pausa na guerra comercial

​Pausa na guerra comercial

Os EUA e a China devem concluir, provavelmente ainda hoje, a primeira fase de um acordo comercial. Não é o fim da guerra comercial, mas uma pausa. Já não é mau.

Deverá ser hoje assinado em Washington um acordo parcial sobre as trocas comerciais entre os EUA e a China. Não é, infelizmente, o fim da guerra comercial desencadeada por Trump; trata-se, apenas, de uma pausa nas hostilidades, que poderão ser retomadas em qualquer altura. Trump é um protecionista e existem nos meios empresariais americanos muitas queixas quanto a procedimentos das autoridades chinesas.

Segundo consta, a China deverá comprar aos EUA mais carros, aviões, máquinas agrícolas, dispositivos médicos, semicondutores e produtos petrolíferos, incluindo gás natural. Mas os direitos aduaneiros sobre a importação de bens provenientes da China entretanto impostos por Washington manter-se-ão em quase dois terços do total dessa importação; antes de iniciada a guerra comercial incidiam em apenas 1%. Em contrapartida, a China deverá comprometer-se a comprar pelo menos 200 mil milhões de dólares aos EUA, nomeadamente bens alimentares.

Mas problemas como os subsídios que Pequim dá a muitas empresas do seu país, a proteção da propriedade intelectual (patentes, por exemplo), a transferência mais ou menos legal de tecnologia, nada disso ficará agora regulado. O que já levou alguns políticos do partido democrático a manifestarem desagrado quanto ao acordo, ameaçando não o aprovar na Câmara dos Representantes.

Entretanto, houve um progresso importante no relacionamento económico entre os EUA e a China. O departamento federal do Tesouro retirou a moeda chinesa da “lista negra”, isto é, da lista das divisas manipuladas. Muitos americanos consideravam que as autoridades chinesas desvalorizavam deliberadamente a moeda, para ajudar a competitividade das suas exportações. O que poderá ter acontecido, mas o FMI negava. Nos meses mais recentes, o câmbio da moeda chinesa subiu, convencendo o Tesouro americano e Trump a eliminar um dos mais controversos obstáculos a entendimentos com a China.

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