sol.sapo.ptsol.sapo.pt - 14 jan 08:50

Governo quer mais 200 mil portugueses com médico de família este ano

Governo quer mais 200 mil portugueses com médico de família este ano

Marta Temido reiterou na AR que saúde é a grande prioridade orçamental, mas avisa que o ano vai ser “particularmente exigente”.

Ainda não será este ano que será garantida a cobertura universal de médico de família. A previsão foi apresentada pela ministra da Saúde no Parlamento, apontando para mais 200 mil utentes com médico no final do ano, o que justificou com a previsão de retenção de recém-especialistas, aposentações mas também com a procura de população flutuante, como estudantes de Erasmus e imigrantes que se inscrevem nos centros da Saúde, o que tem vindo a aumentar o número de utentes.

A meta foi uma das novidades da audição de Marta Temido sobre o Orçamento do Estado (OE) de 2020 para o setor, isto quando na última legislatura a então secretária de Estado Raquel Duarte chegou a apontar a cobertura total para este ano. Atualmente há ainda 655 mil utentes sem médico atribuído, a grande maioria (497 mil) na região de Lisboa e Vale do Tejo. Marta Temido garantiu ainda que progressivamente serão eliminadas todas as taxas moderadoras em todos os cuidados prescritos no SNS, avançando para já a medida nos cuidados primários, o que terá um impacto de 40 milhões de euros nas contas da Saúde.

A ministra reiterou que o setor é a grande prioridade orçamental do Governo, mas deixou o aviso de que o ano será “particularmente exigente” para todos os que trabalham no SNS. “Para estar à altura do esforço orçamental dos portugueses é preciso garantir que não se perca nenhuma oportunidade de resposta àquilo que esperam de nós: saúde familiar com solução para a doença aguda nos cuidados de saúde primários; consultas, cirurgias e exames em tempo nos hospitais; camas de cuidados continuados e respostas de cuidados paliativos onde sejam precisos; números de contacto, telesaúde e hospitalização domiciliária quando adequado às concretas necessidades; qualidade e humanização”, disse Marta Temido.

O Governo estima medidas de poupança no SNS que poderão chegar aos 111 milhões de euros, incluindo no controlo da despesa , prescrições e combate à fraude, que ajudarão a compensar medidas que deverão levar a um aumento dos gastos na casa dos 82 milhões, como a criação de novas Unidades de Saúde Familiar, o programa de hospitalização domiciliária, reforço de cuidados continuados e o alargamento do programa nacional de vacinação.

Marta Temido defendeu o SNS como o melhor modelo de prestação de cuidados e rejeitou um “modelo de saúde de supermercado, baseado em vales, vales consulta, vales cirurgia”, isto depois de o bastonário dos Médicos ter defendido, em entrevista à Lusa, a criação de vales para consulta no setor privado e social quando são ultrapassados os tempos máximos de resposta garantidos, como acontece desde 2006 na área cirúrgica.

Na audição que iniciou a discussão do OE na especialidade, Marta Temido deixou garantias de reforço de autonomia e de responsabilidade de todos os níveis de gestão no SNS e prometeu um “ciclo de expansão” depois de um ciclo de redução e de outro de reposição. O SNS tem este ano um reforço da dotação inicial em 941 milhões de euros. Marta Temido anunciou que a contratualização com os hospitais terá um reforço de 900 milhões, destinados ao aumento de primeiras consultas e de cirurgias (o reforço da atividade ao sábado é uma das apostas), ao apoio à telesaúde e ao incentivo à realização de consultas descentralizadas de especialidades hospitalares, o que deverá alargar o leque de resposta nos cuidados primários.

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