www.jornaldenegocios.ptPaulo Carmona - 14 jan 09:20

O que faz falta é contratar a malta

O que faz falta é contratar a malta

E assim temos mais um apoio, um orçamento de continuidade, simpático, que não afronta ninguém, corporações ou interesses instalados e reforçando o peso do Estado e do número dos seus funcionários, em nome do seu rejuvenescimento. - Opinião , Máxima.

A FRASE...

"Não deixaremos de nos bater, entre outros aspectos, pela contratação dos milhares de trabalhadores que fazem falta ao bom funcionamento dos serviços públicos." 

Declaração do PCP sobre a votação no OE, AR, 8 de janeiro de 2020

A ANÁLISE...

Num país estagnado, sem grandes ambições nem reais apostas no crescimento económico, e com uma dívida perigosa, o melhor é sempre ter o conforto de um emprego público. Mesmo sem um salário excepcional é sempre melhor que os novos empregos criados, a roçar o salário mínimo e, como sabemos, os maus salários públicos são sempre melhores que os baixos salários no privado. E depois temos a ADSE, um subsistema de saúde no qual o Estado "subsidia" os prestadores privados de saúde sempre que os seus funcionários desejem ser tratados fora do SNS. Mesmo com a sanha ideológica disparatada contra a saúde privada, nunca a extrema-esquerda falou em acabar com este esquema de "subsidiação" dos privados através da ADSE. Retóricas e gritaria à parte sabem que o seu eleitorado do funcionalismo público não lhe iria perdoar esta alternativa às listas de espera crescentes, e à suborçamentação do SNS.

O apoio do PCP e do Bloco a este OE tem um retorno, para lá das promessas vagas, e raramente concretizadas, de reforço de verbas para isto ou para aquilo. Umas cosméticas e apoios de fachada são sempre bem-vindos para venderem ao seu eleitorado. Sabem, no entanto, que este OE é apenas papel. O que conta mesmo é a sua execução e as voltas do lápis azul do ministro Mário Centeno nas cativações. Na realidade o PC necessita que militantes e simpatizantes, desempregados com a sua perda de influência parlamentar e autárquica, reforcem as "lacunas" de pessoal no funcionamento dos serviços públicos. O BE, mais urbano, tem sempre o desejo de combater os precários, depois de pedido um contrato a prazo ou umas tarefas, vem agora a exigência passar ao quadro. E assim temos mais um apoio, um orçamento de continuidade, simpático, que não afronta ninguém, corporações ou interesses instalados e reforçando o peso do Estado e do número dos seus funcionários, em nome do seu rejuvenescimento.

Isto é, mais pessoal, mais clientela, menos dinheiro para computadores, investimento nos transportes, na manutenção, na digitalização, etc., logo menos produtividade, mais desperdício de recursos, mais despesa fixa, mais vulnerabilidade a um arrefecimento económico. Que virá, como sempre veio… 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências diretas e indiretas das políticas para todos os setores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

1
1