expresso.ptexpresso.pt - 14 jan 13:24

Sousa Lara diz que foi posto “entre a espada e a parede”. Líder do Chega garante que era “inevitável”

Sousa Lara diz que foi posto “entre a espada e a parede”. Líder do Chega garante que era “inevitável”

O ex-porta-voz do Chega para as áreas de Segurança Interna e Geopolítica diz, em entrevista à Rádio Observador, que ninguém lhe dá “tau-tau” após ter sido forçado a demitir-se. Líder do partido garante ao Expresso que era “inevitável” pois não podia aceitar alguém na sua equipa que desrespeitasse uma das principais bandeiras do Chega: o fim das subvenções vitalícias

O ex-porta-voz do Chega para as áreas de Segurança Interna e Geopolítica, António Sousa Lara, lamenta que tenha sido “colocado entre a espada e a parede” pela direção para deixar o partido por não renunciar à subvenção vitalícia. E deixa um aviso: “Ninguém me dá tau-tau”. Em entrevista à Rádio Observador, o ex-deputado do PSD e ex-subsecretário de Estado da Cultura do Governo de Cavaco Silva admite, contudo, que continuará a apoiar o partido liderado por André Ventura uma vez que acredita que será o único que poderá “endireitar a direita” em Portugal.

Confrontado pelo Expresso, o líder do Chega admite que a medida foi “inevitável”, uma vez que não podia aceitar um elemento no partido que desrespeitava uma das principais bandeiras do Chega: o fim das subvenções vitalícias. “Foi mesmo necessário colocá-lo entre a espada e a parede. Não podíamos ser incoerentes ao aceitar que um membro da equipa não renunciasse à pensão que tanto criticamos”, afirma André Ventura.

E frisa: com isto “não estou a dizer que era ilegal ou não ético. Mas se Sousa Lara tem o direito legal de receber a respetiva subvenção, eu tenho o direito político, enquanto líder do partido, a não aceitar”, insiste Ventura.

Também o vice-presidente do Chega sustenta que o partido não podia aceitar ter um porta-voz que pisasse uma das principais linhas vermelhas para o partido. “Posso dizer que foi uma situação traumática, nem o dr. Sousa Lara, nem o presidente do Chega ficaram agradados com a decisão. Mas era insustentável”, afirma ao Expresso Diogo Pacheco de Amorim, insistindo que o partido não podia “tolerar” que Sousa Lara não renunciasse aos €1343 a que tem direito – embora não esteja a receber atualmente a pensão – por ter exercido cargos políticos, uma vez que o fim das subvenções vitalícias constitui uma das principais bandeiras do Chega.

Sobre a intenção de André Ventura em avançar com uma candidatura para as Presidenciais, Sousa Lara revela ainda durante a entrevista à Rádio Observador, que – enquanto um dos principais conselheiros de André Ventura – alertou o líder do Chega para o “risco excessivo” de candidatar-se a Belém e defendeu em alternativa um candidato militar. “É uma coisa que está proibida. Nós fomos controlados pelos militares depois do 25 Abril. O Chega tinha aqui a oportunidade de chamar um militar na reserva, reformado”, sustenta o ex-porta-voz do Chega.

“Militares na reserva para Belém? Qual é que tem notoriedade?”

Sobre esta sugestão, Diogo Pacheco de Amorim diz não concordar uma vez que considera não existir nenhum militar à altura do desafio: “Militares na reserva para Belém? Qual é que tem notoriedade? Eu pelo menos não estou a ver de repente nenhum”, sublinha o número dois do Chega.

No Conselho Nacional deste sábado, que decorreu na Nazaré, o partido discutiu os nomes de candidatos a Belém, mas ainda não chegou a um consenso, apesar da maior inclinação para André Ventura.

De acordo com Diogo Pacheco de Amorim, há quem considere que André Ventura é o “candidato incontestável”, mas também quem defenda que a melhor opção seria encontrar outra alternativa. “No nosso debate deste fim de semana discutimos três soluções para a candidatura a Belém: alguém dentro do partido, alguém de fora mas com um elevado nível de notoriedade e que encarne os ideais do Chega ou André Ventura. Para a segunda solução fizemos várias sondagens, mas até agora nenhuma deu resultado”, explica o vice-presidente do Chega, admitindo que tudo se encaminha para a terceira solução.

“Neste sábado houve uma primeira abordagem ao tema, haverá ainda mais debates internos até se chegar à decisão final”, acrescenta Diogo Pacheco de Amorim. No entanto, mantém-se o objetivo de o partido anunciar oficialmente o seu candidato a Belém durante o primeiro trimestre em Portalegre, o distrito onde o partido alcançou o maior resultado eleitoral.

Questionado sobre se está motivado para regressar ao Parlamento, na hipótese de André Ventura avançar para a candidatura a Belém, Diogo Pacheco de Amorim garante que sim, apesar de acreditar que será uma “curta incursão na vida parlamentar”. “O líder vai ausentar-se no máximo durante três semanas junto da campanha eleitoral. De resto o André estará sempre no Parlamento. Penso que será uma passagem minha muita curta pela AR, mas naturalmente estou motivado e empenhado como sempre estive e estou para a política”, assegura.

O líder do Chega reitera que nas próximas eleições presidenciais, o candidato do partido a Belém terá uma “votação muito expressiva” e poderá disputar uma segunda volta com Marcelo Rebelo de Sousa, esperando que possa ser eleito um chefe de Estado do partido já em 2026.

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