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Operação Marquês. Sérgio Monteiro diz que chumbo do Tribunal de Contas sobre TGV era previsível

Operação Marquês. Sérgio Monteiro diz que chumbo do Tribunal de Contas sobre TGV era previsível

Sérgio Monteiro foi chamado pelo juiz Ivo Rosa como testemunha da Operação Marquês para explicar a sua intervenção na concessão do troço de TGV Poceirão/Caia, que foi ganha pelo consórcio Elos do qual fazia parte o Grupo Lena, um dos 28 arguidos do processo

O antigo secretário de Estado dos Transportes .

Perante o juiz, adiantou a mesma fonte, o antigo governante afirmou que era expectável que o Tribunal de Contas (TdC) não atribuísse visto prévio ao contrato para a construção da linha de Alta Velocidade, um investimento de 1.400 milhões de euros. De acordo com o acórdão do TdC, datado de março de 2012, foram detetadas violações ao caderno de encargos do concurso.

O juiz explicou, no processo da Operação Marquês consultado pela agência Lusa, que Sérgio Monteiro teve intervenção na Garantia Bancária prestada pelo Caixa BI no âmbito do Programa do Procedimento sobre o concurso para a concessão RAVE Poceirão/Caia, ligação ferroviária de alta velocidade entre Lisboa e Madrid. O magistrado também fez uma referência a cláusulas sugeridas pelo consórcio Elos aos bancos financiadores do negócio da concessão.

Enquanto estava no Caixa BI, o governante participou nos instrumentos financeiros do consórcio para a construção do primeiro troço da alta velocidade.

O nome de Sérgio Monteiro foi também referido pelas testemunhas Paulo Campos [ex-secretário de Estado dos Transportes do Governo de José Sócrates], Carlos Alberto Fernandes e Pedro Manuel Nascimento como estando ligado ao financiamento do consórcio Elos, que incluía como acionistas construtoras portuguesas, nomeadamente Brisa, Soares da Costa e grupo Lena.

Sérgio Monteiro foi secretário de Estado das Infraestruturas, Transportes e Comunicações entre 2011 e 2015 e é alvo de uma certidão extraída da Operação Marquês relacionada com o seu envolvimento na transferência do financiamento do consórcio Elos para o TGV, que ganhou o concurso para o troço Poceirão/Caia, para o Estado.

Ficou hoje concluída a inquirição de testemunhas na fase de instrução, faltando apenas o arguido José Pinto de Sousa, primo de José Sócrates, ser interrogado, diligência marcada para dia 21 de janeiro de 2020. O processo Operação Marquês, cujo principal arguido é o antigo primeiro-ministro José Sócrates, teve início há mais de cinco anos e conta com 28 arguidos que, globalmente, estão acusados de 188 crimes económico-financeiros.

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