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Indústria automóvel perde 80 mil empregos com perspetivas negras para os próximos anos

Indústria automóvel perde 80 mil empregos com perspetivas negras para os próximos anos

Duas associações automóveis alemãs alertaram hoje para a quebra das vendas de carros a nível global, e anteciparam mais reduções de empregos no setor. Segundo a Bloomberg, a indústria planeia cortar, no total, mais de 80 mil empregos nos próximos anos.

2019 está a revelar-se um dos anos mais negros para os trabalhadores da indústria automóvel, com a queda da procura e as transformações tecnológicas a levarem as fabricantes a reverem as suas estruturas de custos.

Só na semana passada, a Daimler e a Audi anunciaram cortes de quase 20 mil trabalhadores, juntando-se a empresas como a General Motors, a Ford e a Nissan que, ao longo do último ano, revelaram planos para cortar de forma significativa a sua força de trabalho.

Segundo cálculos da Bloomberg, as fabricantes automóveis planeiam eliminar, no total, mais de 80 mil empregos nesta indústria nos próximos anos. E embora os cortes se concentrem na Alemanha, nos Estados Unidos e no Reino Unido, economias de mais rápido crescimento, como a China, também não estão imunes, continuando a ser afetadas pelo desinvestimento das grandes marcas nessas regiões.

Num contexto de tensões comerciais, subida das tarifas e desafios impostos pelas novas tendências, como a condução autónoma e os veículos elétricos, as perspetivas para os próximos anos não são animadoras.

E os alertas chegam de várias frentes: esta quarta-feira, duas associações alemãs do setor anteciparam quebras nas vendas, enquanto a IHS Markit previu que a indústria automóvel produzirá 88,8 milhões de veículos este ano, uma queda de quase 6% em relação a 2018.

A par da produção, também as vendas globais deverão registar uma descida face ao ano passado. Esta quarta-feira, a Associação Alemã da Indústria Automóvel (VDA) antecipou uma descida das vendas globais de 5% – a mais pronunciada desde a crise financeira - para um total de 80,1 milhões de veículos, em 2019, e mais cortes de empregos em 2020.

"A concorrência está a ficar mais apertada, e as contrariedades estão a aumentar", afirmou o presidente da VDA, Bernhard Mattes, citado pela Reuters, acrescentando que as vendas deverão voltar a descer no próximo ano, para 78,9 milhões de carros, o nível mais baixo desde 2015.

Quanto ao corte de empregos, Mattes espera que, na Alemanha, seja "mais pronunciado em 2020", acrescentando que só a transformação tecnológica poderá eliminar 70 mil postos de trabalho na próxima década.

Também a Associação de Fabricantes Automóveis Internacionais (VDIK) estimou hoje que as vendas de carros novos na Alemanha deverão cair 6,2% para 3,35 milhões em 2020, enquanto as vendas de automóveis elétricos deverão aumentar 60% para 160 mil unidades.

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