expresso.ptexpresso.pt - 4 dez 19:48

Vinho português: 2019 traz mais um recorde nas exportações

Vinho português: 2019 traz mais um recorde nas exportações

“O ano promete acabar bem”, antecipa presidente da Viniportugal

O ano de 2019 "promete acabar bem" para os vinhos portugueses, com mais um recorde na frente exportadora, garante o presidente da Viniportugal, Jorge Monteiro, atento aos números de um sector que viu as vendas de janeiro a setembro crescerem 3,6%, para 580 milhões de euros.

Em 2018, a fasquia das exportações nacionais ficou nos 807 milhões de euros e, se este ano as vendas estão a cair em quantidade (variação negativa de 0,4% ou 2,2 milhões de hectolitros), o valor cresce, o que significa, também, uma subida do preço médio por litro de 3,9%, dos 2,56 euros para os 2,66 euros, mostram os números do sector, recolhidos pelo Instituto da Vinha e do Vinho.

"Em volume, temos de considerar que estes valores são condicionados pela vindima de 2018, que foi magra, o que implicou uma quebra nas vendas a granel, mas Portugal conseguiu crescer em valor", destaca o presidente da Viniportugal, a organização interprofissional gestora da marca “Wines of Portugal”, à margem do Fórum Anual dos Vinhos, que decorreu esta terça-feira no Centro Cultural e de Congressos das Caldas da Rainha, focado no tema da sustentabilidade.

No grupo dos principais mercados dos vinhos lusos, Jorge Monteiro destaca as subidas nos EUA (5,7% em volume, 7,9% em valor e 2% no preço médio) e Reino Unido (13,6% em volume, 22,4% em valor e 7,7% no preço médio). Em França, a quantidade caiu 0,6%, mas o valor manteve-se, o que significa que o preço médio subiu 2%. Já no Brasil aconteceu o inverso, com uma subida do volume (0,9%), acompanhada de descidas no valor (0,1%) e no preço médio (1%).

Consumo nacional também cresce

A explicação para o comportamento no Reino Unido passa pelo Brexit e por algumas antecipações de compras. "Este desempenho nem é uma surpresa e não significa aumento de consumo. Na verdadade, a Wine Spirit Trade Association, nas três medidas para sobreviver ao Brexit tinha recomendado reforço de stocks, seguros de câmbios e fé", comenta Jorge Monteiro.

No caso do Brasil, estará em causa a situação económica do país e até há uma forma de ver o copo meio cheio: "Até setembro, apesar da quebra nas exportações, Portugal conseguiu bater a Argentina e tornar-se o segundo principal fornecedor do país", diz. Assim, a estratégia da Viniportugal mantém a aposta nos mercados alvo dos EUA, Canadá, Brasil e China, concentrando nestes países 60% do orçamento promocional de 6 milhões de euros previsto para 2020

No que se refere ao mercado nacional, as vendas de vinho tinto saltaram 10% (428 milhões de euros), enquanto o vinho branco registou uma subida de 11,2% (275 milhões de euros), e o rosé ganhou 8% (27 milhões de euros). Os portugueses podem estar a consumir mais, mas neste campo o factor turismo também pesa.

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