rr.sapo.ptOpinião de Francisco Sarsfield Cabral - 4 dez 06:34

​Reformismo na UE, mas não no país

​Reformismo na UE, mas não no país

Reformar a Administração Pública, para poupar dinheiro dos contribuintes, está fora dos projetos do Governo. Resta, assim, ao ministro das Finanças travar despesas públicas, mesmo as indispensáveis.

Agora que faz vinte anos, o euro é alvo de forte apoio, revela o Eurobarómetro. Mais de três quartos dos inquiridos na zona euro considera benéfica a moeda única.

Ora a arquitetura do euro está incompleta. Por exemplo, à união bancária ainda falta um fundo de garantia de depósitos bancários. Mas o presidente do Eurogrupo, Mário Centeno, mostra-se otimista.

Centeno empenhou-se a sério nas reformas de que o euro necessita. Com determinação e sensatez, sabendo que os avanços têm que ser graduais e necessitam de grandes esforços de negociação e persuasão.

Infelizmente, o nosso ministro das Finanças parece ter, à partida, abdicado de esforços reformistas internos, no país. Por isso as negociações orçamentais em curso estão reduzidas a um falso dilema: ou se cumprem as metas do euro e se leva à degradação total o Serviço Nacional de Saúde, se continua a não dar meios às forças de segurança, o investimento público se mantém anémico, etc.; ou se gasta dinheiro público nessas e noutras áreas e Portugal perde a credibilidade que ganhou nos mercados, fazendo subir os juros que paga pela sua grande dívida pública.

É uma falsa alternativa, porque prescinde de quaisquer esforços reformadores que levem a fazer o mesmo com menos dinheiro dos contribuintes. Reformar o pesado aparelho do Estado português não é tarefa fácil, claro; tem contra qualquer reforma os partidos de extrema esquerda, que A. Costa tanto acarinha, pois para eles só o que é Estado é bom. E não se conhece ao primeiro-ministro um espírito reformador digno desse nome. Mas é uma tarefa indispensável, que infelizmente não é concretizada.

Resta, assim, ao ministro das Finanças travar despesas públicas, mesmo as indispensáveis. É pena. E poderá ser politicamente desastroso.

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