expresso.ptexpresso.pt - 4 dez 21:13

Sociedade envolvida na criação do futuro museu do automóvel processa câmara de Cascais

Sociedade envolvida na criação do futuro museu do automóvel processa câmara de Cascais

Em causa está o projeto que envolveu a sociedade Motorpassion e a autarquia, com vista à criação de um museu na Marina da cidade. Mais de cinco anos depois, o espaço não se concretizou e o seu mentor alega “inúmeros e avultados prejuízos”

A sociedade Motorpassion moveu uma ação contra a Câmara Municipal de Cascais (CMC), alegando “inúmeros e avultados prejuízos”, após o município ter colocado um ponto final na parceria que desde 2014 uniu as duas entidades com vista à criação na cidade do Motor Passion Museum (MPM). Projetado para ser instalado na Marina de Cascais, num espaço cedido pela autarquia, o projeto dedicado ao automóvel chegou a ser anunciado como um dos atrativos do Bairro dos Museus – e promovido num “show room’ criado para o efeito -, mas o processo arrastou-se e a inauguração nunca aconteceu.

Duarte Cancella de Abreu, que idealizou o museu, garante que o projeto se tornou “inviável, dada a ineficácia da gestão dos investimentos prometidos pela autarquia”. “Da nossa parte”, insiste, “conseguimos apoios, asseguramos coleções, e inclusivamente investimos capitais próprios”.

Contactada pelo Expresso, a câmara limitou-se a confirmar o seu afastamento do projeto, decisão justificada por Marco Espinheira, diretor do Futuro da Câmara Municipal de Cascais pelo facto de ter percebido “que a sociedade em questão não tinha condições para levar a cabo o que inicialmente tinha apresentado”. “Não acredito que exista o investimento necessário”, concluiu Marco Espinheira, acrescentando que a autarquia mantém o interesse em desenvolver um museu automóvel: “Temos a firme intenção de o criar e vamos continuar à procura de um projeto vencedor, como Cascais merece”.

Está a câmara a trabalhar numa alternativa? “Há várias ideias e possibilidades, mas nada confirmado. Vamos continuar à procura”, frisou Marco Espinheira.

Protocolo nunca foi assinado

Do lado da Motorpassion, Duarte Cancella de Abreu descreve a relação mantida com a autarquia como um longo e desgastante processo, iniciado em maio de 2014, altura em que diz ter sido convidado pelo presidente Carlos Carreiras para criar o museu – algo que o diretor do Futuro da CMC contesta. “Não foi assim que aconteceu”, afirma, alegando que o projeto foi apresentado à câmara e esta concordou avançar.

Das negociações mantidas, Cancella de Abreu explica ter ficado acordado que, além da cedência do espaço, a câmara custearia os estudos e projetos de adaptação, bem como a realização das obras. Com a concordância do município, afirma, ficou ainda pendente “a celebração de um protocolo” que oficializasse os termos da parceria, “documento que nunca chegou a ser assinado”.

Dada a dimensão das instalações a ocupar, ficou também assente que o museu partilharia o edifício com o Museu de Arte Urbana e Contemporânea de Cascais (MARCC), outro projeto resultante de uma parceria da CMC, neste caso com o artista Alexandre Farto, conhecido como Vhils. A concretização deste museu, que chegou a ter a inauguração anunciada para setembro de 2018, continua a ser uma incógnita. Marco Espinheira promete novidades “muito em breve”, enquanto os representantes de Vhils disseram ao Expresso que, apesar da “proposta e dos contactos iniciais, o plano não vai avançar”.

Duarte Cancella de Abreu acusa a câmara de ter protelado as obras indefinidamente, com sucessivos adiamentos e atrasos. Se a promessa inicial foi a realização dos trabalhos em 2017, afirma, nesse ano apenas aconteceu um curto arranque, para as obras serem retomadas em dezembro de 2018, tendo voltado a ser interrompidas. E de novo começaram em dezembro, “para parar em janeiro deste ano”.

Cancella de Abreu esclarece que, por fim, a rutura foi oficializada por email, numa mensagem com a assinatura do vice-presidente da câmara, Miguel Pinto Luz, recebida em maio deste ano. A mesma onde foi requisitada à sociedade Motorpassion que entregasse “todos os espaços” que ocupava, adianta.

Desiludido, o mentor do Motor Passion Museum diz estarem em causa prejuízos elevados, perdas de apoios e a própria credibilidade do projeto, o que levou à decisão de avançar para a via judicial. Na ação movida é pedida uma indemnização no valor total de 270 mil euros.

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