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Russos avistam urso polar com “graffiti” críptico. Cientistas procuram respostas

Russos avistam urso polar com “graffiti” críptico. Cientistas procuram respostas

O vídeo ainda não foi autenticado, nem se percebe onde foi gravado. Mas os especialistas especulam que o urso terá sido sedado.

Numa gravação tremida e cheia de grão, um urso polar aparece na imagem, o pêlo branco difícil de distinguir da neve em redor — até virar o flanco para a câmara, revelando um misterioso graffiti de lado.

As marcas feitas por humanos num urso polar selvagem que deambulava no norte da Rússia deixaram os cientistas sem respostas, alarmaram conservacionistas e alimentaram especulação na imprensa local. Na inscrição, aparentemente escrita com spray no pelo do animal, lê-se claramente: “T-34”. O que significa, exactamente, é menos claro.

A tag é o nome de um famoso tanque soviético que começou a ser usado na Segunda Guerra Mundial e que é frequentemente apontado por ter superado os seus contemporâneos alemães. Não é claro se isto é uma piada ou um sinal de uma escalada da frustração de alguns russos que vivem no Árctico e que já descreveram a presença de ursos polares empurrados para sul pelas alterações climáticas como uma invasão maciça.

O vídeo surgiu pela primeira vez num grupo de WhatsApp de povos indígenas de Chukotka, uma região autónoma do extremo oriente russo, e foi depois publicado no Facebook por um empregado do World Wildlife Fund (WWF), noticiou a BBC. A partir daí, circulou online e em órgãos de comunicação russos e internacionais — embora os investigadores ainda não tenham autenticado o vídeo ou determinado como terá sido gravado. O urso da imagem também ainda não foi localizado.

De qualquer modo, o graffiti perturbou-os na mesma. O funcionário do WWF que partilhou o vídeo escreveu na legenda: “Porquê?! Não vai ser capaz de caçar sem ser ser notado!” Outros especialistas concordam, referindo que o urso polar pode agora ter problemas em camuflar-se e que as marcas podem assinalar a sua presença para as potenciais presas.

Um cientista disse a uma agência de notícias estatal russa que a inscrição deve ter sido feita com o urso sedado, por causa da forma clara como está desenhada. Já um porta-voz da WWF Rússia disse à BBC que a imagem do urso foi “um choque” e que parece “uma má piada”.

Mas se o urso veio do arquipélago russo de Nova Zembla, como alguns especularam, o sentimento por trás da afirmação pode ser bem mais sério. Em Fevereiro, funcionários da região administrativa de Arkhangelsk, onde o arquipélago se insere, declarou estado de emergência depois de pelo menos 52 ursos polares terem invadido uma cidade de 200 habitantes. Chamaram-lhe “uma invasão maciça de ursos polares em áreas residenciais”.

Tass, outro órgão de informação estatal, noticiou que os animais entraram em escritórios e prédios de apartamentos, ameaçando habitantes e até atacando peões. Os ursos andaram por parques infantis, afastaram os cães e banquetearam-se com o lixo. “As pessoas estão assustadas”, disseram responsáveis da região em comunicado. “Têm medo de sair de casa e as rotinas diárias foram interrompidas. Os pais têm medo de deixar as crianças ir à escola ou ao jardim infantil.”

Os habitantes foram proibidos de caçar os animais, que pertencem a uma espécie classificada como vulnerável, mas se os esforços do governo para proteger a comunidade da ilha remota falharem, os funcionários podem matar os ursos, noticiou a Tass.

A União Internacional para a Conservação da Natureza estima que existam entre 22 mil e 31 mil ursos polares no mundo, um número cada vez mais ameaçado pela destruição do seu habitat devido às alterações climáticas.

À medida que as temperaturas sobem, o gelo do Árctico derrete, empurrando os animais para a costa, longe das focas das quais geralmente se alimentam. Esfomeados, partem à procura de comida, o que às vezes os leva a entrar em rota de colisão com os humanos. É uma colisão que se pode tornar mais comum.

Mas para quem quer que tenha filmado o urso “T-34”, a experiência parece ser nova. No vídeo, dois homens podem ser ouvidos a conversar. Um pergunta: “Por que está tão sujo?” “Um urso com manchas?” responde o outro, de acordo com a tradução do Siberian Times. Então, o par conseguiu ler o que estava escrito e quase se engasgou, o choque bem audível. O jornal confessou: “Tivemos de censurar o resto da gravação devido ao vernáculo russo.”

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Com Isaac Stanley-Becker
Exclusivo PÚBLICO/ The Washington Post

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