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Falha em Espanha levou a queda de motor de comboio no Minho

Falha em Espanha levou a queda de motor de comboio no Minho

Fissura num veio não foi detetada pela empresa espanhola que aluga 24 comboios diesel a Portugal. Só depois do acidente é que Renfe reforçou controlo.

Uma falha na manutenção em Espanha foi a causa para a queda de um motor no comboio da linha do Minho na noite de 31 de janeiro. Esta foi a conclusão a que chegou a entidade que investigou o incidente com uma automotora diesel alugada pela CP aos espanhóis da Renfe junto ao apeadeiro de Afife, perto de Viana do Castelo. A empresa espanhola, entretanto, reviu os procedimentos de manutenção das ‘camelas’, como são conhecidas na gíria ferroviária.

“A investigação estabeleceu como mais provável que a causa direta do acidente tenha sido a fratura completa do veio cardan, que transmite o binário do motor diesel à caixa hidráulica de transmissão”, aponta o Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários (GPIAAF), no relatório de investigação divulgado esta quarta-feira.

A fratura do veio, segundo a investigação, “resultou da propagação de uma fissura por fadiga do aço, originada pela incorreta reparação de uma fissura mais antiga aquando de uma operação regular de recondicionamento daquele componente”.

A reparação deste componente tinha sido subcontratada a prestadores de serviços exteriores à Renfe, “pelo que os seus processos para controlo da qualidade do trabalho realizado por esses prestadores de serviços revelaram lacunas, que resultaram na insuficiente garantia de não serem utilizados métodos de trabalho desadequados nas reparações de fissuras e soldaduras”.

Infografia elaborada em fevereiro de 2019, antes da chegada de quatro automotoras adicionais a Portugal.

Infografia elaborada em fevereiro de 2019, antes da chegada de quatro automotoras adicionais a Portugal.

“A reparação de fissuras em elementos submetidos a esforços cíclicos, capazes de gerar efeitos de fadiga, é sempre uma operação de risco elevado. Se não se elimina completamente a fissura anterior, esta pode propagar-se novamente. Os procedimentos habituais para estas reparações incluem o restauro total da fissura, a soldadura com penetração completa e a verificação mediante ensaios não destrutivos da continuidade total do material”, acrescenta o laboratório especializado que fez uma análise complementar ao veio cardan.

A chamada de atenção do gabinete de investigação português foi tida em conta pela Renfe a partir do início de março: “por sua própria iniciativa e no âmbito do seu sistema de gestão da manutenção, dão resposta a aspetos que, de outro modo, seriam abrangidos por recomendações de segurança do GPIAAF”. O reforço da soldadura e a introdução de números de série para garantir o rastreio do material foram as principais medidas tomadas.

Deste incidente, resultaram em custos totais de perto de 80 mil euros, 68,3 mil euros dos quais resultaram diretamente da queda do motor na linha.

Histórico de incidentes

O relatório do GPIAAF aponta ainda para a ocorrência de mais quatro incidentes com o veio cardan. Em junho de 2016, janeiro de 2018, setembro de 2018 e fevereiro de 2019 (estes dois após a colisão com animais).

Desde 2011, a CP aluga automotivas diesel com quase 40 anos à congénere Renfe, numa despesa anual que este ano vai ascender a perto de 8,3 milhões de euros. Portugal apenas pode alugar comboios a Espanha, porque só estes países têm bitola (distância entre carris) ibérica. A cedência de material de Espanha irá ocorrer até que cheguem 22 novos comboios regionais, que deverá ocorrer a partir de 2023.

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