expresso.ptexpresso.pt - 4 dez 13:37

Menos 28 mil postos de trabalho nos têxteis até 2025? Nem os sindicatos acreditam “na catástrofe”

Menos 28 mil postos de trabalho nos têxteis até 2025? Nem os sindicatos acreditam “na catástrofe”

A indústria têxtil definiu as linhas que vão coser o sector nos próximos anos. Há um “abrandamento no horizonte”, mas sem dramas, garantem os patrões

“Eficiência” é regra de ouro da indústria têxtil e do vestuário no horizonte de 2025, um período que deverá refletir um abrandamento do ritmo de crescimento registado nos últimos anos, mas promete continuar a apresentar um saldo positivo do lado das exportações e do volume de negócios do sector.

No documento “Novo Paradigma, Nova Estratégia - 2025”, a que o Expresso teve acesso e cuja divulgação, agendada para hoje à tarde, foi antecipada pelo Jornal de Negócios, a ATP - Associação Têxtil e Vestuário de Portugal prevê saltos de 13% nas exportações, para os 6 mil milhões de euros, superior à subida de 9,5% definida para o volume de negócios do sector (8 mil milhões de euros).

No caso do emprego, a ambição é mais modesta e o novo plano estratégico dos têxteis refere apenas como metas ter “mais de 4 mil empresas ativas” e “mais de 110 mil trabalhadores diretos”.

Comparando estes números com os valores atuais (6 mil empresas e 138 mil trabalhadores), o quadro desenhado apresenta menos 28 mil postos de trabalho e menos 2 mil empresas. No entanto, Paulo Vaz, diretor-geral da ATP, garante ao Expresso que “isto não significa uma perda direta e líquida de empresas e postos de trabalho”. “Não está em causa uma catástrofe”, garante. “O que fizemos foi definir um patamar de acordo com uma abordagem conservadora do futuro, considerando o quadro atual de abrandamento do ritmo de crescimento”.

"Não faz sentido", diz FESETE

Na verdade, nem na frente sindical soaram campainhas de alarme com estes números sobre o emprego. “O que sentimos no terreno é exatamente o inverso. Temos um sector que precisa de mão de obra qualificada, com formação, para dar resposta às encomendas”, diz ao Expresso Isabel Tavares, coordenadora da FESETE - Federação dos Sindicatos dos Trabalhadores Têxteis, Lanifícios, Vestuário, Calçado e Peles de Portugal . “O quadro atual não é negativo e colocar as coisas nestes termos, de perda massiva de postos de trabalho, não faz sentido”, acrescenta.

Admite, no entanto, que depois do crescimento vivido nos últimos anos, com recordes sucessivos nas vendas e nas exportações e antecipação em quatro anos das metas definidas para o “cenário de ouro - 2020” do último plano estratégico do sector, “haverá certamente algum abrandamento” na fileira.

Para os patrões têxteis, o que está em causa é “mais exatamente uma questão de eficiência”. Depois de ultrapassada a meta de chegar a 2020 com 5 mil empresas, 6,5 mil milhões de euros de volume de negócios, 5 mil milhões de euros de exportações e mais de 100 mil trabalhadores, a hora é de “promover a produtividade”, apostar no design, na tecnologia, na inovação, na internacionalização, na sustentabilidade.

Missão: lidera na gama alta

O objetivo será “posicionar a ITV portuguesa como indústria inovadora, criativa e credivelmente sustentável. E é assumir o estatuto de “líder mundial em produtos de design e performance, em alta gama”.

E hoje à tarde, quando receber o ministro de Estado, da Economia e da Transição Digital, Pedro Siza Vieira, o presidente da ATP, Mário Jorge Machado será claro. No seu discurso, haverá palavras para dizer que “longe vão os tempos em que os Governos procuravam menorizar a relevância de uma atividade que, ainda hoje, representa 10% de todas as exportações de mercadorias e 20% do emprego da indústria transformadora nacional”, mas é hoje “um case study de sucesso global pois conseguiu, simultaneamente resistir, reinventar-se, atualizar-se".

O empresário e dirigente associativo, reitera que a fileira está a concluir um longo e continuado ciclo de crescimento e admite que “há incerteza” no ar para os próximos anos, num contexto “cada vez mais desafiante”.

Estar preparado para todos os cenários também significa ter o apoio do governo diz. E explica como: “apoiar a criação da riqueza antes da sua distribuição” até porque “uma empresa industrial, para ser concorrencial, tem de contar com a contribuição positiva dos fatores positivos que concorrem para a competitividade”, do acesso e custo do dinheiro, aos custos da energia ou aos custos do trabalho.

E promete: “O sector têxtil e do vestuário enfrentará os próximos anos com determinação, mesmo sabendo-os difíceis, pois sabe adaptar-se às novas realidades e superar-se, tal como já demonstrou no passado”.

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