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Fecho dos mercados: Perspetiva de vitória de Boris põe libra em máximos de dois anos e meio

Fecho dos mercados: Perspetiva de vitória de Boris põe libra em máximos de dois anos e meio

A maior probabilidade de uma vitória dos conservadores liderados por Boris Johnson nas eleições britânicas da próxima semana permitiram à libra escalar para máximos de quase dois anos e meio contra o euro. Nova reviravolta na disputa comercial animou bolsas e penalizou o ouro.

Os mercados em números

PSI-20 valorizou 1,72% para 5.124,40 pontos

Stoxx 600 cresceu 1,18% para 403,19 pontos

S&P500 aprecia 0,75% para 3.116,27 pontos

Juros da dívida portuguesa a dez anos crescem 1,3 pontos base para 0,369%

Euro cede 0,05% para 1,1076 dólares

Petróleo em Londres valoriza 3,95% para 63,21 dólares

Bolsas voltam aos ganhos com (outra) reviravolta na disputa comercial

Depois de quatro dias consecutivos a acumular perdas, as principais praças europeias negociaram em terreno positivo na sessão desta quarta-feira, 4 de dezembro. O índice de referência Stoxx600 ganhou 1,18% para 403,19 pontos, apoiado em especial nas subidas dos setores das matérias-primas e da banca.

Em linha com as congéneres, o índice português PSI-20 avançou 1,72% para 5.124,40 pontos, naquela que foi a maior subida diária desde 16 de agosto. 

A contribuir para o otimismo verificado nas bolsas mundiais, e europeias, está o novo volte-face verificado na negociação de um acordo comercial entre os Estados Unidos e a China.

Depois do crescendo de pessimismo dos últimos dias, sobretudo devido às ameaçada feitas por Donald Trump, presidente dos EUA, sobre a imposição de tarifas reforçadas à França, Brasil e Argentina, esta quarta-feira surgiram indicações positivos, embora na disputa com a China. É que foi noticiado que Washington e Pequim poderão fechar um acordo a tempo de evitar a entrada em vigor das taxas aduaneiras agravadas previstas para dentro de 11 dias.

Juros sobem com aumento do apetite pelo risco

Com o mercado otimista com a possibilidade de um acordo entre os Estados Unidos e a China até 15 de dezembro, voltou o apetite dos investidores pelo risco esta quarta-feira, o que levou a uma forte subida das ações e a uma descida das obrigações.

Consequentemente, os juros subiram na maioria dos países do euro, com destaque para a Alemanha, onde a yield associada às obrigações a dez anos avançou 3,3 pontos base para -0,319%.

Em Portugal, os juros da dívida no prazo de referência agravaram-se em 1,3 pontos base para 0,369% e em Itália avançaram 0,3 pontos para 1,286%.

Libra em máximos de maio de 2017

A divisa britânica voltou a valorizar nos mercados cambiais, tendo escalado para máximos de maio de 2017 face ao euro e de junho deste ano contra o dólar. Nesta altura, a libra ganha 0,78% em relação ao euro e 0,73% contra o dólar.

A justificar esta valorização da moeda do Reino Unido está a crescente convicção de que o Partido Conservador do primeiro-ministro em exercício, Boris Johnson, vai vencer as eleições gerais que foram antecipadas para a próxima semana.


As sondagens têm mesmo apontado para a possibilidade de Johnson vencer com maioria absoluta, cenário que a confirmar-se vai facilitar o caminho do líder conservador para levar por diante o acordo de saída negociado com Bruxelas e garantir o Brexit até 31 de janeiro.

Já o euro deprecia 0,05% para 1,1076 dólares, naquela que é a primeira queda da moeda única europeia em relação à divisa norte-americana, isto numa sessão em que o euro chegou a transacionar no valor mais alto contra o dólar desde 5 de novembro último. 

Petróleo valoriza 4% em véspera da reunião da OPEP

O petróleo está a registar fortes ganhos nos mercados internacionais, impulsionado pela descida das reservas de crude dos Estados Unidos, a expectativa de um acordo entre Washington e Pequim até 15 de dezembro, e ainda pela posição do Iraque, que defendeu mais cortes na oferta.

O West Texas Intermediate (WTI), negociado em Nova Iorque, soma 4,05% para58,37 dólares, enquanto o Brent, transacionado em Londres, valoriza 3,95% para 63,21 dólares.

Esta quarta-feira, a Administração de Informação de Energia dos Estados Unidos revelou que os inventários de crude diminuíram em 4,86 milhões de barris na semana passada, quando as estimativas apontavam para uma queda de apenas 1,5 milhões.

A estes dados juntam-se as perspetivas mais animadoras para um acordo entre Washington e Pequim, depois de a Bloomberg ter revelado que as duas maiores economias do mundo estão próximas de um entendimento.

A contribui para os ganhos estão ainda as declarações do ministro iraquiano do Petróleo que, na véspera da reunião da OPEP, defendeu um reforço dos cortes na produção de 400 mil barris por dia.

Ouro cai após tocar em máximos de quase um mês

O metal precioso dourado está a perder 0,32% para 1.472,89 dólares por onça numa sessão em que até chegou a negociar na cotação mais elevada em quase um mês (desde 7 de novembro).

O reforço da perspetiva de um acordo na primeira fase da negociação comercial em curso entre as duas maiores economias mundiais justifica a inflexão do ouro, que depois de ter começado o dia a valorizar segue em queda ao ver diminuída a respetiva importância enquanto ativo de refúgio.

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