rr.sapo.ptrr.sapo.pt - 4 dez 14:53

António Costa diz que anúncio da "morte" da NATO foi "notícia bastante precipitada"

António Costa diz que anúncio da "morte" da NATO foi "notícia bastante precipitada"

Declarações do Primeiro-Ministro português, no fim da conferência de líderes da NATO, asseguram "unidade" e "espírito construtivo" entre os membros da organização.

O primeiro-ministro, António Costa,disse esta quarta-feira, em Londres, que o anúncio da "morte" da NATO foi precipitado e garantiu que o ambiente da cimeira foi de franqueza, cordialidade e de reafirmação da unidade entre os 30 países participantes.

"A reunião demonstrou que, fora alguma frase mais mediática que uns ou outros tenham produzido fora deste quadro de debate, a reunião contrariou isso", declarou António Costa aos jornalistas no final da reunião de líderes, parafraseando o escritor norte-americano, Mark Twain, para garantir que a alegada morte da NATO "foi uma notícia bastante precipitada".

Numa entrevista ao “The Economist”, em novembro, o Presidente francês, Emmanuel Macron, lamentou a "morte cerebral" da NATO, o que levou o Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, a sugerir que o próprio Macron estaria em "morte cerebral".

Esta terça-feira, no primeiro dia da cimeira da NATO, o Presidente norte-americano, Donald Trump, classificou as declarações como "muito desagradáveis” e “insultuosas”.

As afirmações polémicas deveram-se principalmente à invasão do norte da Síria pela Turquia, na sequência de uma retirada das tropas americanas, sem aviso prévio dos aliados da NATO, o que resultou num ataque às milícias curdas aliadas dos países ocidentais.

Apesar desta polémica, o Primeiro-Ministro português afirmou que a cimeira se caracterizou por um "debate franco, tranquilo, sereno, onde foi muito claro o objetivo de todos de reafirmarem a unidade, de ficar claro que o esforço da cooperação europeia em matéria de Defesa não significa qualquer divisão da NATO, mas, pelo contrário, um fortalecimento do pilar europeu da NATO e o conjunto sai reforçado”.

António Costa disse que foi feito um ponto de situação sobre os compromissos assumidos em termos de investimento dos países na Defesa e que foi registada uma "grande evolução".

Desde que a Rússia anexou a Península da Crimeia, em 2014, que os países da NATO interromperam os cortes com a Defesa registados desde o fim da Guerra Fria e começaram a aumentar os gastos, tendo-se comprometido a investir 2% do Produto Interno Bruto (PIB) anual na área até 2024.

"Esta cimeira foi significativamente diferente da cimeira do ano passado, foi retomar da normalidade do relacionamento entre todos, com grande cordialidade, com grande franqueza, com grande espírito construtivo", vincou.

A cimeira da NATO, que assinalou também o 70º aniversário da organização, decorreu em Londres, sob o título "Inovando a Aliança" e contou com a presença de líderes de 30 países, que estiveram reunidos esta quarta-feira.

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