www.jornaldenegocios.ptRamon O’Callaghan - 3 dez 19:20

O futuro do trabalho e as escolas de negócios

O futuro do trabalho e as escolas de negócios

O papel dos académicos, enquanto criadores de conteúdo especializado, vai acabar por diminuir, mas o seu papel enquanto mentores, orientadores e professores vai aumentar.

Já quase todas as consultoras ou "think-tanks" de referência elaboraram um relatório sobre o futuro do trabalho, incluindo-se, neste grupo, a McKinsey, Bain & Company, BCG, Deloitte, PwC, a

As escolas de negócio têm de ver além de "alunos" e "alumni". Têm, sim, de vê-los como "lifelong learners" (aprendizes durante toda a vida). Assim, para se manterem competitivas, as escolas e as empresas podem ter de passar a dispor de um serviço de acompanhamento de carreira, desde a graduação até à reforma, bem como disponibilizar oportunidades para uma aprendizagem contínua, pré e após licenciatura. Uma vez que a produção de conhecimento é cada vez mais rápida e mais disseminada, os alunos esperam que a sua escola lhes disponibilize conhecimentos relevantes que vão utilizar ao longo da sua vida profissional.

A desigualdade económica vai piorar, tornando-se rapidamente não só num problema económico, mas também num problema social. As escolas de negócio têm de começar a perguntar-se a si próprias que tipo de conhecimento vão disponibilizar para prepararem os alunos para conseguirem lidar com um cenário de extrema desigualdade salarial e instabilidade social. Vão, portanto, ser cada vez mais valorizados os programas nas áreas de empreendedorismo social e ética e as "soft skills" de comunicação, negociação e influência.

As escolas de negócio podem assumir um papel crucial num mundo de automação e inteligência artificial. Mas terão, sobretudo, de se adaptar e responder às novas formas de fazer negócio: têm, essencialmente, de conseguir dar resposta às repercussões sociais que estas novas abordagens vão trazer. Para fazerem este caminho podem começar por aumentar a sua oferta formativa, alargar a base de alunos e expandir serviços de apoio à carreira assim como serem proficientes na utilização das novas tecnologias na entrega do conhecimento.

As escolas de negócios podem continuar a desempenhar um papel relevante no futuro, quando a inteligência artificial e a automação se tornarem predominantes. Ainda não sabemos a fórmula exata, mas certamente podemos dizer que ela terá de girar em torno e valorizar a condição humana. 

Porto Business School

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