ionline.sapo.ptJosé Cabrita Saraiva - 3 dez 08:58

“A pior fase de sempre” e o dilema do PSD

“A pior fase de sempre” e o dilema do PSD

Deverá o PSD escolher um líder que faz oposição a sério, mas que não vemos como primeiro-ministro; ou alguém que até pode fazer um bom lugar como primeiro-ministro mas que provavelmente nunca chegará lá?

Em entrevista ao semanário SOL deste fim de semana, Luís Montenegro, candidato à liderança do PSD, traçou um cenário negro do partido. Para o antigo líder parlamentar, o PSD está “na pior fase de sempre”. É verdade que Rui Rio não tem conseguido impor nem o seu estilo de liderança nem a sua forma de estar na oposição. Pior: desde o início que dá a impressão de se empenhar mais na oposição aos críticos internos do que propriamente no combate ao Governo. Tudo somado, o seu consulado tem sido pouco menos do que um desastre. Montenegro, pelo contrário, parece capaz de liderar a oposição com firmeza e combatividade. Parece ter outros argumentos para incomodar o Governo. Resumindo, parece muito melhor líder da oposição. Ainda assim, temos dificuldade em vê-lo como primeiro-ministro. Rui Rio, apesar de tudo, deu um ar da sua graça durante a campanha para as legislativas e mostrou que poderia dar muito melhor primeiro-ministro do que tem sido líder do partido e da oposição. Simplesmente a sua “tática de não-agressão” não está resultar e, por este andar, nunca chegará a São Bento. Os sociais-democratas estão perante um dilema complicado. Mas não teria de ser necessariamente assim. Se todos remassem para o mesmo lado, se as tarefas estivessem bem distribuídas, poderia haver espaço para ambos. Montenegro na fila da frente da oposição, “ao ataque”, enquanto o líder se resguardava. E, se alguma vez o PSD chegasse a Governo, conquistaria então um lugar de relevo. Compreende-se que Rui Rio não queira falar mal só por falar. Só lhe fica bem. Mas um líder da oposição tem de fazer oposição – ou, se acha que não tem feitio para isso, de arranjar alguém que o faça por ele. Pelo menos se tiver ainda alguma pretensão de chegar a primeiro-ministro.

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