expresso.ptexpresso.pt - 2 dez 22:56

Operação Marquês: Presidente do júri do TGV confirma reunião com Sócrates: “Mas o ex-PM não decidiu nada”

Operação Marquês: Presidente do júri do TGV confirma reunião com Sócrates: “Mas o ex-PM não decidiu nada”

Raul Vilaça Moura confirmou reunião com José Sócrates para discutir “questões concursais” relacionadas com o TGV mas disse ao juiz Ivo Rosa que isso não tem “nada de especial”. Afinal, o ex-primeiro-ministro não teve qualquer decisão na atribuição da obra a um consórcio de que fazia parte o Grupo Lena, o alegado corruptor de Sócrates

Engenheiro, "simpatizante, mas não membro" do Partido Socialista e "um técnico", assim se definiu Raul Vilaça Moura, testemunha de José Sócrates mas também do Ministério Público na Operação Marquês.

O presidente do júri que decidiu atribuir ao consórcio Elos - de que fazia parte o Grupo Lena - a construção do troço Poceirão-Caia para o comboio de alta velocidade confirmou que foi convocado para uma reunião com José Sócrates, então primeiro-ministro, e Mário Lino, ministro das Obras Públicas, que esta segunda-feira também foi interrogado pelo juiz de instrução. Vilaça Moura disse que o tema da reunião foi "o ponto de situação concursal" e esteve em discussão o eventual pagamento de uma indemnização ao consórcio vencedor caso a obra fosse vetada pelo Tribunal de Contas, como veio a acontecer já no Governo de Passos Coelho, depois de o PS perder as eleições.

Vilaça Moura disse ao juiz que foi convocado para a reunião "por Mário Lino ou Ana Paula Vitorino, então secretária de Estado" e não achou que a situação tivesse algo de anormal. "Não foi nada de especial", disse, de acordo com uma fonte ouvida pelo Expresso. O presidente do juri garantiu que as decisões foram sempre "coletivas" e que José Sócrates não teve qualquer influência nelas.

O MP, pelo seu lado, sustenta que Vilaça Moura foi com Mário Lino ao gabinete de Sócrates, porque o ex-primeiro-ministro queria “ser pessoalmente inteirado do estado do procedimento, na sequência da elaboração de um relatório subsequente à avaliação das propostas”. E queria, também, ser “esclarecido acerca dos riscos de recusa de visto [do Tribunal de Contas], num momento anterior à decisão de adjudicação”.O MP sustenta que Sócrates "instrumentalizou" os ministros das obras públicas (Mário Lino, que recusou esta hipótese e António Mendonça, que também vai ser ouvido por Ivo Rosa) para que estes influenciassem o júri no sentido de atribuir ao consórcio Elos a construção do TGV.

Antóio Mendonça, ministro das Obras Públicas que sucedeu a Mário Lino, e Maria de Lurdes Rodrigues, ministra da Educação durante parte do consulado de José Sócrates, também vão ser ouvidos pelo juiz Ivo Rosa como testemunhas arroladas pelo ex-primeiro-ministro.

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