expresso.ptexpresso.pt - 2 dez 17:04

Trump surpreende Bolsonaro e ressuscita taxas sobre o aço e alumínio

Trump surpreende Bolsonaro e ressuscita taxas sobre o aço e alumínio

Taxas estavam suspensas desde agosto de 2018 e podem ser uma machada nas débeis economias latino-americanas

“Se for preciso, ligo para Trump. Tenho um canal aberto com ele”, disse esta segunda-feira Jair Bolsonaro, à saída do Palácio da Alvorada, ainda mal refeito quanto ao anúncio dos EUA de voltarem a aplicar tarifas sobre a importação de aço e alumínio. “Vou falar com o [ministro da Economia Paulo] Guedes hoje. Alumínio? Vou falar com o Paulo Guedes agora. Converso com o Paulo Guedes e depois dou uma resposta, para não ter que recuar, tá ok?”, acrescentou o Presidente brasileiro à saída da residência oficial.

Bolsonaro tentou assim “puxar dos galões” quanto a uma pretensa proximidade com Trump, marcada pelo alinhamento incondicional com as posições do seu congénere norte-americano e, para muitos analistas, até de uma certa subserviência face a Washington. Como nos casos do anúncio da instalação de uma base norte-americana no Brasil ou da abertura da embaixada em Jerusalém, logo desmentidos pelo Exército, ou de fazer continência a John Bolton, o ex-conselheiro de Segurança Nacional de Trump.

Não era amor, era cilada”; é a tónica das reações dos internautas ao anúncio do reestabelecimento das taxas sobre o aço brasileiro, noticia o Folha de São Paulo.

Pelo Twitter, como é hábito, o Presidente dos EUA anunciou esta segunda-feora que vai restabelecer imediatamente as tarifas sobre as importações de aço e alumínio do Brasil e da Argentina, suspensas em agosto de 2018. Na mesma rede social, Trump apelou para que a Reserva Federal dos EUA – o banco central norte-americano - trave as desvalorizações “artificiais” da moedas contra o dólar.

“A Reserva Federal deve agir da mesma forma (que o Governo) para que os países, que são muitos, não tirem vantagem do dólar alto ao desvalorizarem a moeda”, escreveu Trump. “Isso prejudica muito os nossos industriais e agricultores que querem exportar de forma justa”, acrescentou Donald Trump. “Juros mais baixos!”, pediu.

O dólar reagiu em alta às declarações de Trump e chegou a cotar-se a 4,257 reais. S�� depois do banco central brasileiro ter vendido 480 milhões de dólares para segurar o real é que a divisa norte-americana cedeu 0,44% para cotar-se a 4,222 reais no fim da manhã, nota o Folha de São Paulo.

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