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Alterações climáticas provocam mudanças genéticas em veados-vermelhos

Alterações climáticas provocam mudanças genéticas em veados-vermelhos

Um novo estudo revelou que uma pequena população de veados na ilha escocesa de Rum evoluiu de maneira diferente devido às alterações climáticas

Uma população de veados vermelhos na ilha escocesa de Rum evidenciou a um grupo de cientistas o primeiro caso de uma modificação na evolução de animais selvagens devido às alterações climáticas provocadas pelo Homem. O estudo publicado no jornal PLOS Biology revelou que os animais desta pequena ilha estão, a cada ano, a dar à luz mais cedo, e tudo indica que estas alterações genéticas estão relacionadas com o aumento da temperatura.

Dados de pesquisas anteriores, da década de 1970, permitiram à equipa de cientistas, da Universidade de Edimburgo, descobrir que as datas médias de nascimento estavam a ficar cada vez mais adiantadas, a um ritmo de cerca de três dias por década, em parte devido a uma exposição maior a temperaturas quentes, causando alterações no comportamento e fisiologia do cervo. As fêmeas dão à luz uma única cria a cada ano, e aqueles que se reproduzem no início do ano têm mais descendentes ao longo da vida, dizem os investigadores. Sally Thomas, diretora do Scottish Natural Heritage, disse: “Estas descobertas são um exemplo fascinante do impacto que as mudanças climáticas podem ter sobre a vida selvagem. Mais e mais pesquisas estão a demonstrar que as alterações climáticas estão influenciar as espécies no Reino Unido e no mundo. "

Estes novos dados mostram que isso se deve em parte a uma combinação entre os genes que fazem as fêmeas dar à luz mais cedo e o maior sucesso reprodutivo geral. Como resultado, os genes responsáveis pela procriação adiantada tornaram-se mais comuns ao longo do tempo nesta população de cervos.

Timothee Bonnet, professor na Universidade Nacional Australiana, que liderou o estudo, disse: "Este é um dos poucos casos em que documentamos a evolução em ação, mostrando que pode ajudar as populações a adaptarem-se ao aquecimento climático". “Estudos de longo prazo da vida útil individual são uma das poucas maneiras de entender como as populações respondem às mudanças ambientais e como controlar os seus efeitos. ", confessou a professora Josephine Pemberton, da Escola de Ciências Biológicas da Universidade de Edimburgo, que também participou no estudo.

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