ionline.sapo.ptionline.sapo.pt - 10 nov 01:17

Carros elétricos. Queixas disparam mas Governo prepara-se para avançar com concessão da rede de carregamento

Carros elétricos. Queixas disparam mas Governo prepara-se para avançar com concessão da rede de carregamento

As vendas dos carros elétricos têm vindo a disparar, mas as dores de cabeça começam no momento de carregar o veículo. O Governo prepara-se para avançar com o processo de concessão da rede Mobi.E, que deverá estar concluída durante o primeiro trimestre de 2020.

As dores de cabeça começam no momento do carregamento dos carros elétricos. Ao i, o Portal da Queixa garante que, desde o início do ano, recebeu recebeu 54 reclamações relacionadas com postos de carregamentos elétricos. Do total, 72% dizem respeito aos postos abastecimento que estão avariados, desligados ou então em manutenção. Também as falhas no apoio ao cliente são alvo de 17% das reclamações, já os problemas com a aplicação (7%), assim como a demora na entrega de cartão (4%) são outros motivos das queixas.

A verdade é que o número de reclamações tem vindo a aumentar nos últimos anos, indo ao encontro do aumento de vendas. De acordo com os dados a que o i teve acesso, desde janeiro foram vendidos quase seis mil mil carros elétricos. Um aumento face aos quase aos 1640 de 2017 e aos 756 que foram comercializados em 2016. Aliás, em 2016 entraram apenas três queixas e no ano seguinte nove. “Há um forte indício de aumento no número de reclamações caso a situação se mantenha para este ano”, diz ao i fonte do portal.

O que é certo é que está em marcha o processo de concessão da rede Mobi.E. Ao i, o Ministério do Ambiente garante que “está atualmente a ser ultimado, pela Mobi.E, o procedimento para concessão da rede piloto, que se prevê seja lançado no início de dezembro próximo”. “No caso de o processo de concessão decorrer sem incidentes administrativos, a concessão será atribuída durante no 1.º trimestre de 2020. Não estando estabilizado na presente data um número exato de postos a concessionar, o objetivo será de se atingir um número superior a 600 postos”, refere a mesma fonte ao i.

O ministério diz ainda que o Mobi.E iniciou recentemente o processo de instalação de 202 postos de carregamento semirrápido correspondentes à expansão da rede atual e que destes estão a ser instalados cerca de 15 postos por semana, “prevendo-se a finalização desta operação dentro de aproximadamente 3 meses”. Acrescenta ainda que “ficará assim garantida a presença da rede de carregamento pública em todos os municípios do território nacional”.

Recorde-se que desde novembro que a utilização dos postos de carregamento rápido começou a ser paga, uma opção para muitos automobilistas, ainda que alguns híbridos precisem de um adaptador para poder aproveitar esta opção.

Neste momento, a rede Mobi.E tem 59 postos de carregamento rápido e 550 postos de carregamento normal, que correspondem a cerca de 1250 tomadas. Foram emitidos mais de 8 mil cartões de acesso à rede Mobi.E.

Os tarifários dos quatro comercializadores – EDP, Galp, Prio.e e eVaz Energy – já foram divulgados. Os preços da Prio.e em tarifa bi-horária, a única que disponibiliza para a mobilidade elétrica, são de 5,96 cêntimos por minuto em vazio e de 6,58 cêntimos fora de vazio (entre as 8h e as 22h). No entanto, a estes valores é necessário acrescentar a tarifa de acesso à rede, que foi fixada pelo regulador em 10,27 cêntimos por kWh nas horas fora de vazio e 4,83 cêntimos por kWh nas horas de vazio.

De acordo com a simulação feita pela Associação de Utilizadores de Veículos Elétricos (UVE), comparando os quatro CEME, os carregamentos mais baratos são os da EDP, que variam entre 3,20 e 8,74 euros. Segue-se a Galp, com preços entre os 3,44 e os 8,97 euros. A eVaz Energy disponibiliza carregamentos que vão dos 4,26 a 9,80 euros. Feitas as contas, a diferença de custo entre o carregamento rápido mais barato e o mais caro atinge os 6,68 euros.

No entanto, há comercializadores que oferecem descontos. Tanto a EDP como a Galp têm descontos para clientes que utilizem estes operadores como fornecedores de energia em casa. Há ainda outras promoções cruzadas que podem ser importantes. Por exemplo, a EDP comercializa uma wallbox (carregador para instalar em casa) que dá direito a descontos para o consumo associado ao carregamento em casa.

Não se esqueça que para utilizar estes carregamentos rápidos tem de ter um cartão de acesso aos postos disponibilizados pelos operadores. Para isso, o consumidor terá de estabelecer um contrato de fornecimento de energia com pelo menos um dos CEME. No entanto, independentemente do contrato que fizer, esse cartão pode ser usado em qualquer operador. Aliás, uma das vontades do atual Executivo foi sempre que o consumidor não fosse obrigado a possuir mais que um cartão para efetuar o carregamento do seu carro elétrico. No fundo, o cartão vai definir quanto vai pagar e a quem vai pagar.

Alargamento Uma das críticas que são feitas diz respeito à fraca cobertura no interior do país. No entanto, a Associação Utilizadores de Veículos Elétricos (UVE) garante que “está em fase de resolução com a instalação de um posto duplo em cada capital de concelho, de iniciativa pública, e com a expansão de postos de carregamento por parte da iniciativa privada”, acrescentando que “é urgente que estes postos sejam instalados e ligados à rede pública de carregamento”.

Em relação às queixas de avarias, A UVE não tem dúvidas: “Esta situação subsiste nos postos instalados no espaço público de acesso público, os postos instalados na via pública. A Mobi.E anunciou o lançamento do concurso para a concessão destes postos durante o corrente mês de novembro. Estes postos pertencem ao projeto piloto, que já devia de ter sido encerrado, e alguns deles estão obsoletos e foram descontinuados pelo fabricante, outros foram danificados e vandalizados. A sua concessão a operadores privados e respetiva entrada na fase comercial permitirá a resolução destes problemas, o que deverá ocorrer até meados de 2020”.

Alternativas Outra alternativa de carregamentos pode ser as garagens dos prédios e, neste caso, terá de pagar os preços da luz para uso doméstico. Mas nem tudo são facilidades. No caso de os locais de estacionamento já terem tomadas elétricas com ligação exclusiva à fração, podem, em princípio, ser adaptadas para o carregamento das baterias elétricas dos carros, desde que cumpram os requisitos técnicos e legais definidos pela Direção Geral de Energia e Geologia (DGEG). No entanto, se a instalação for num local que pertença a uma parte comum do edifício, é sempre necessária uma comunicação escrita prévia à administração do condomínio, com a antecedência de, pelo menos, 30 dias, em relação à data pretendida para a instalação. Quem não tem garagem ou acesso curto a uma ficha, terá dificuldade em carregar em casa, já que um dos conselhos dos vendedores é precisamente o risco de recorrer as extensões.

Consulte aqui o mapa da rede de postos de carregamento rápido em Portugal

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