expresso.ptexpresso.pt - 10 nov 18:17

CDS. Direção não responde a Manuel Monteiro e deixa refiliação (ou não) para próximo líder

CDS. Direção não responde a Manuel Monteiro e deixa refiliação (ou não) para próximo líder

Ex-presidente tinha questionado a direção sobre a base legal para o seu regresso estar a ser travado. Carta não terá resposta pelo menos até janeiro do próximo ano, depois do congresso eletivo

Nem refiliação nem explicação oficial sobre o porquê: Manuel Monteiro, o antigo presidente do CDS que quer voltar a inscrever-se no partido - e que tentou começar esse processo em setembro, quando entregou a nova ficha de militante - não terá resposta da direção do CDS até haver um sucessor para o lugar de Assunção Cristas.

Quer isto dizer que a carta que Manuel Monteiro enviou à secretaria-geral do partido na semana passada, em que questionava qual a base legal e regulamentar para a sua refiliação estar a ser travada, ficará sem resposta pelo menos até janeiro de 2020, data do próximo congresso do partido. Essa mesma carta, juntamente com a ficha de militante de Monteiro, farão parte da “pasta de transição” que será entregue ao próximo líder do partido, confirmou o Expresso junto de várias fontes da direção do CDS.

É a confirmação de que a decisão de (pelo menos) adiar o regresso de Monteiro, impedindo assim que participe no congresso que vai eleger o substituto de Assunção Cristas, é mesmo política. Segundo os estatutos do partido, a refiliação deveria estar dependente da aprovação da concelhia onde o processo fosse entregue - coisa que aconteceu há mais de um mês, quando a concelhia da Póvoa de Varzim aceitou, por unanimidade, o regresso de Monteiro. No entanto, o processo travou na secretaria-geral, que nunca chegou a enviar ao ex-presidente o novo cartão de militante, gerando críticas dos apoiantes de Monteiro a um suposto “veto de gaveta”. O próprio ex-presidente lembrava em declarações ao Expresso, na semana passada, que o CDS “não é um partido pária” e que deve respeitar os próprios estatutos, porque isso distingue “uma democracia de uma ditadura”.

Ora para a direção atual, o caso de Monteiro tem especificidades que não permitem que seja tratado da mesma forma que o resto das inscrições. Dizendo “não querer condicionar a próxima direção e secretaria-geral, que devem decidir livremente”, as fontes ouvidas pelo Expresso argumentam que este “não é um processo comum de filiação”. Isto porque Monteiro, que presidiu ao CDS antes de Paulo Portas, saiu do partido e chegou a fundar um concorrente, o Nova Democracia. Com isso “roubou votos e deputados”, fez “do CDS um alvo” e, já depois do fim Nova Democracia, apelou à abstenção em várias eleições - uma série de argumentos usados pela direção para justificar que a decisão sobre o seu regresso não esteja dependente dos normais critérios burocráticos, mas antes políticos.

Na carta dirigida ao secretário-geral, Manuel Monteiro pedia explicações para o facto de os estatutos não estarem a ser cumpridos, uma vez que a sua refiliação foi aceite na concelhia onde a propôs, e sobre a base legal para o adiamento aparentemente “ad aeternum” do seu regresso. Agora, confirma-se que não terá resposta pelo menos até haver um novo líder aos comandos do CDS, uma demora que já motivou críticas de vários candidatos à presidência do partido (Abel Matos Santos e Filipe Lobo d’Ávila já atacaram a atual direção pela gestão do caso) e de vozes internas (o ex-presidente José Ribeiro e Castro tem apelado a que a situação de Monteiro seja resolvida o mais rapidamente possível).

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