expresso.ptexpresso.pt - 8 nov 14:40

Nacionalistas escoceses prometem apoiar “aliança progressista” para “manter os conservadores longe do poder”

Nacionalistas escoceses prometem apoiar “aliança progressista” para “manter os conservadores longe do poder”

A líder dos nacionalistas escoceses prometeu esta sexa-feira apoiar os partidos em Westminster que estejam contra os conservadores, no caso de a eleição de 12 de dezembro resultar em mais um parlamento dividido. Mas há condições: esses partidos têm de ter o Serviço Nacional de Saúde ocmo total prioridade e não podem ser contra um novo referendo à independência da Escócia

O Partido Nacionalista Escocês (SNP) abriu a época de campanha e disse logo ao que vinha: a ideia é impedir um governo do Partido Conservador, nem que para isso seja preciso fazer um pacto com outros partidos, a tão famosa “Aliança Progressista”. As condições também ficaram bem delineadas: o Serviço Nacional de Saúde (NHS) é prioridade e só assim é que os nacionalistas ponderam oferecer os seus deputados a essa putativa aliança, caso esse cenário chegue a desenhar-se, disse esta sexta-feira Nicola Sturgeon, primeira-ministra da Escócia. De qualquer forma, uma coligação formal está fora de questão, apenas acordos pontuais estão em cima da mesa, o que pode ser mais do que suficiente, isto dependendo dos votos no ‘labour’ e nos liberais-democratas, para impedir um governo conservador, nomeadamente (e outra vez) na questão do Brexit.

O partido de Sturgeon apresentará uma lei de proteção do NHS para garantir que o sistema de saúde não é usado como "moeda de troca" num eventual acordo pós-Brexit com os Estados Unidos. Donald Trump, Presidente dos Estados Unidos, nunca escondeu que gostaria de abrir o NHS britânico à exploração comercial por parte de empresas de assistência médica americanas: “todos os setores estão em cima da mesa”, disse Trump numa visita recente ao Reino Unido. A maioria dos nomes mais sonantes da política britânica, ou seja, aqueles que provavelmente estarão em lugares de decisão, já colocaram o NHS fora do eventual “pacote” mas como os cenários económicos do pós-Brexit são imprevisíveis não é possível pôr de parte qualquer cenário de privatizações.

Neste momento o SNP aparece nas sondagens com 4% dos votos, o que pode garantir mais de 50 deputados em Westminster para as forças “remain”, segundo as previsões de John Curtice, o professor que é uma espécie de autoridade em termos de sondagens em todo o Reino Unido. Neste momento os conservadores têm menos de metade desses deputados previstos: 22. Além disso, 62% dos escoceses votaram para permanecer na UE, e essa é uma das principais cartas de Sturgeon nestas eleições.

A líder espera que tanta confusão, tantos avisos dos economistas, possam ter criado ainda mais “remainers” na Escócia. Ela disse: "Muitos dos ganhos dos últimos 20 anos e a promessa de um futuro melhor estão ameaçados. "O voto da Escócia para permanecer na UE foi ignorado. Pela primeira vez, o governo do Reino Unido optou por legislar sobre assuntos descentralizados sem o consentimento de Holyrood [Parlamento escocês]. O compromisso número um dos Conservadores é tirar a Escócia da UE, contra a nossa vontade”, disse Sturgeon, admitindo, no entanto, que não dará apoio a nenhum partido que não seja a favor da realização de um segundo referendo à independência escocesa. Boris Johnson já disse que não vai aprovar outro referendo na Escócia, mesmo que o SNP ganhe a maioria na Escócia agora em dezembro e as legislativas escocesas em 2021. Mas Johnson pode não vir a ser o escolhido pelo povo britânico para tomar decisões.

1
1