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Rui Pinto reconhece ilegalidades mas duvida que terá “julgamento justo”

Rui Pinto reconhece ilegalidades mas duvida que terá “julgamento justo”

Hacker escreveu texto lido pelo advogado Francisco Teixeira da Mota. “Não matei nem roubei”, afirma, lamentando longo período de isolamento na prisão.

Numa declaração escrita por Rui Pinto e lida pelo seu advogado, Francisco Teixeira da Mota, durante um debate sobre protecção legal de denunciantes organizado pela Rádio Renascença no âmbito da Web Summit, o hacker reconheceu que alguns dos actos que cometeu são ilegais perante o enquadramento jurídico português.

“Aceito perfeitamente que, à luz do ordenamento jurídico português, alguns dos meus actos sejam considerados ilegais e irei responder por isso. Mas não posso aceitar esta perseguição e esta postura violenta e vingativa por parte do Estado português”, pode ler-se na declaração assinada por Rui Pinto.

Depois, o hacker passa para o ataque, criticando a justiça portuguesa e o modo como passou seis meses em isolamento (dos sete em que se encontra detido preventivamente), argumentando que não cometeu crimes violentos que justifiquem tal medida de coacção.

“Encontro-me há sete meses preventivamente detido, seis dos quais em regime de isolamento, sem que tivesse tido qualquer interacção com outros detidos. Não matei nem roubei. Face a tudo o que tem acontecido neste processo, tenho sérias dúvidas de que terei um julgamento justo. De qualquer forma, irei lutar com todas as minhas forças para fazer valer a minha posição. Sou apesar de tudo um denunciante, um whistleblower que serviu o interesse público ao expor graves ilegalidades e actos de corrupção [no mundo do futebol] “, finalizou.

Rui Pinto é acusado pelo Ministério Público (MP) de 147 crimes: 75 de acesso ilegítimo, 70 de violação de correspondência, um crime de tentativa de extorsão e um de sabotagem informática.

As investigações da Polícia Judiciária foram atrasadas pelo sistema de encriptação que o hacker colocou nos discos rígidos. No momento em que a acusação foi proferida, apenas permaneciam por decifrar dez riscos rígidos dos doze discos externos e dois computadores confiscados a Rui Pinto na Hungria, em Janeiro, e que que Rui Pinto utilizou para armazenar informações relativas à plataforma Football Leaks, site que divulgou informações confidenciais relativas às maiores instituições do futebol mundial.

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