expresso.ptexpresso.pt - 8 nov 16:29

PSD/Lisboa vai a votos amanhã e já há ameaças de impugnação

PSD/Lisboa vai a votos amanhã e já há ameaças de impugnação

Sofia Vala Rocha, que vai a jogo contra Ângelo Pereira - que congrega os maiores caciques - garante que vai impugnar as eleições independentemente do resultado. “Tenho de acabar com as vigarices do PSD”. Ao mesmo tempo, uma lista testa-se para a concelhia, conciliando passistas com rioístas

A segunda maior distrital do PSD vai a votos este sábado, mas o destino já está traçado: qualquer que seja o resultado, acabará nos labirínticos conselhos de jurisdição do partido e, no limite, nos tribunais.

A garantia é de Sofia Vala Rocha, que disputa com Ângelo Pereira estas eleições. Em declarações ao Expresso, a social-democrata garante que o adversário não entregou a lista dentro do prazo legal, nem tão pouco no local próprio previsto nos regulamentos. De acordo com os estatutos, as listas “devem ser entregues até às 24 horas do terceiro anterior ao ato eleitoral [quarta-feira]” na sede distrital do partido. Segundo Vala Rocha, que assegura ter aguardado no local até ao final do prazo legal, nada foi feito nesse sentido.

De acordo com Fernando Ferreira, vice-presidente da Mesa da Assembleia Distrital e responsável pelo processo na ausência do presidente Hélder Silva, a lista de Ângelo Pereira foi entregue dentro do prazo legal e com a maior das regularidades. Desafiado pelo Expresso a esclarecer quando e onde recebeu a dita candidatura, Fernando Ferreira remeteu para o processo, apenas acessível às partes interessadas.

Sofia Vala Rocha, que conta com os apoios de Conceição Monteiro, figura histórica do partido e antiga secretária de Francisco Sá Carneiro, Rui Gomes da Silva e Luís Paes Antunes, marido, antigo deputado e ex-secretário de Estado, não desarma: “Vim para transformar este ato num verdadeiro ato eleitoral. A outra candidatura queria que isto fosse um mero ato administrativo. Vamos impugnar o ato eleitoral, que está cheio de vícios e irregularidades. Não vou beneficiar o infrator. Num Estado de Direito os processos são garantia de que o resultado final é justo, aberto e legal. Tenho de acabar com as vigarices do PSD”.

O Expresso tentou contactar Ângelo Pereira, mas não obteve qualquer resposta até ao momento. A distrital do PSD/Lisboa é um microcosmo do que se vai vivendo no partido a nível nacional. Sendo a segunda maior do país, com mais de 10 mil eleitores inscritos, esta estrutura social-democrata prepara-se para mudar de mãos: Pedro Pinto, deputado e líder em funções, vai deixar o cargo e Ângelo Pereira, vereador em Oeiras e atual número dois, é o mais bem posicionado na sucessão. Acontece que Ângelo Pereira é um dos apoios mais importantes de Miguel Pinto Luz, vice-presidente da Câmara de Cascais, de quem já foi número dois quando o autarca liderou, ele próprio, a distrital de Lisboa.

Mais: Ângelo Pereira (logo, Pinto Luz) conseguiu uma proeza: juntar Luís Newton, presidente da Junta de Freguesia da Estrela e um joker em qualquer eleição interna, ao seu inimigo Rodrigo Gonçalves (um ex-rioísta revoltado). Juntos, Newton e Gonçalves (a que se soma outro velho cacique, Paulo Quadrado) controlam grande parte do aparelho lisboeta e espera-se, por isso, uma vitória por larga margem. Pendendo para Pinto Luz, a distrital de Lisboa será uma importante bolsa de votos na corrida contra Rui Rio e Luís Montenegro. Mas outras peças já se vão movendo.

Morais Sarmento + Miguel Morgado? Sim, é possível

Nas mesmas eleições vão a votos duas listas de delegados à Assembleia Distrital de Lisboa que serão uma antecâmara da próxima disputa pela aquela concelhia do PSD: Paulo Ribeiro desafia Rogério Jóia, próximo de Ângelo Pereira e atual líder interino da concelhia do PSD/Lisboa.

Os dois têm contas por ajustar. Em junho, em pleno processo de elaboração das listas de candidatos à Assembleia da República, Paulo Ribeiro, então presidente da concelhia de Lisboa, demitiu-se do cargo por discordar da indicação de um dos nomes avançado por aquela estrutura do partido, no caso Joana Monteiro, nome patrocinado por Luís Newton. O jornal “Observador” noticiaria mais tarde que, afinal, Joana Monteiro nunca tinha dado autorização para que o seu nome fosse um dos indicados. Mas o estrago estava feito.

Agora, Paulo Ribeiro faz um teste de força para perceber as suas reais possibilidades de retomar o poder da concelhia. E conta com apoios de peso e de sensibilidades políticas muito diferentes: Nuno Morais Sarmento, ‘vice’ de Rui Rio, Miguel Morgado, antigo assessor de Pedro Passos Coelho, ex-deputado e um dos mais ferozes críticos da atual direção, e Pedro Rodrigues, antigo líder da JSD, homem escolhido por Rio para liderar comissão para a reforma do sistema político e atual deputado.

“Foi possível congregar estas pessoas em torno da necessidade imperiosa de requalificar o partido em Lisboa. É a única forma de aspirar a ganhar as próximas autárquicas e legislativas. Temos de retomar o trabalho que estava a ser feito e recusar voltar aos protagonistas e aos mesmos modelos de gestão interna do passado”, diz.

Sobre uma eventual recandidatura à liderança da concelhia do PSD/Lisboa, Paulo Ribeiro não esconde o desejo: Sim, as peças estão a posicionar-se nesse sentido. Muita gente a querer que volte a ser candidato”.

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