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Berlim: artistas internacionais exibem obras sobre o impacto dos muros

Berlim: artistas internacionais exibem obras sobre o impacto dos muros

A exposição “Durch Mauer gehen” ("Atravessando muros"), patente no museu Gropius Bau de Berlim, mostra o trabalho de 28 artistas de diferentes nacionalidades sobre o impacto dos muros, quando ...

“Apenas alguns têm uma relação direta com o muro de Berlim, mas todos encontraram muros físicos ou metafóricos nas suas vidas pessoais”, conta à agência Lusa a curadoria da mostra, da responsabilidade de Sam Bardaouil e Till Fellrath.

No 30.º aniversário da queda do muro de Berlim, artistas de 20 diferentes países, que vão da Alemanha e do Brasil, à Tunísia e Venezuela, passando por Espanha, Estados Unidos, Líbano, Líbia ou México, fazem uma reflexão sobre o impacto de viver com a “separação e a segregação”. Este ponto comum foi o principal motivo para “juntar todos estes nomes”.

“Uma das artistas, Sibylle Bergemann, passou grande parte da sua carreira no lado leste da Alemanha, com o muro que dividiu a cidade durante quase três décadas. Os seus trabalhos nostálgicos e aguçados são colocados em várias divisões ao longo da exposição, como uma espécie de fio subtil que liga todas as obras a Berlim”, descrevem os curadores.

Bergemann é considerada uma das fotógrafas mais relevantes da antiga República Democrática Alemã (RDA), conhecida por mostrar uma visão mais melancólica da vida quotidiana do lado leste do país.

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Entre as obras está a do brasileiro José Bechara “Ok,Ok, Let’s Talk”, que liga 50 mesas de madeira, ou “La Main”, de Alberto Giacometti, criada em 1947, a partir da memória da Segunda Guerra Mundial.

Marina Abramovic e Ulay, dupla pioneira da 'performance', retomam "Light/Dark", obra conjunta dos anos de 1970, uma instalação vídeo em 'loop', durante a qual o casal se agride, ininterruptamente.

“Muitos visitantes comentaram a forma intensa como se envolveram com a exposição. As obras de arte que escolhemos irradiam empatia e ligam-se de maneira muito direta, e por vezes emocional, com o espetador”, sublinha a curadoria.

“Acreditamos firmemente que, embora a arte não consiga mudar o mundo de maneira radical, pode fazê-lo progressivamente, transformando as pessoas, uma de cada vez (…). Esperamos que a nossa exposição alerte as pessoas para o enorme n��mero de paredes metafóricas e físicas que existem dentro das nossas sociedades”, acrescenta.

As instalações sonoras de Smadar Dreyfus, com vozes de mães e filhos separados pela fronteira sírio-israelita, o quadro de Michael Kvium, com uma praia de veraneio, a que chega um bote de refugiados, e os muros transfigurados em aguarela e papel, de Melvin Edwards, são outras propostas da mostra.

Entre os 28 artistas encontram-se ainda Willie Doherty, várias vezes finalista do prémio Turner, Zahrah Al Ghamdi, de origem saudita, este ano convidada da Bienal de Veneza, a escultora palestiniana Mona Hatoum, com a sua experiência de fronteira, e o mexicano Héctor Zamora, com a 'performance' "Zeitgeist", na recriação de muros e passagens.

A exposição “Durch Mauer gehen” tem curadoria de Sam Bardaouil e Till Fellrath, do projeto Art Reoriented, e pode ser visitada no Gropius Bau até ao dia 19 de janeiro de 2020.

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