expresso.ptexpresso.pt - 12 out 18:08

Os transitários já têm resposta para os piratas dos transportes. Colaboração

Os transitários já têm resposta para os piratas dos transportes. Colaboração

Projetos Expresso. No segundo dia do 17º Congresso da Associação dos Transitários de Portugal, que conta com o apoio do Expresso, as respostas colaborativas a desafios como ataques digitais estiveram em destaque

"Os portugueses são tão organizados que não conseguem trabalhar", afirma Nadim Habib. Pode parecer engraçado mas não é mais do que a confusão reinante entre "organização e arrumação", defende o professor da Nova School of Business Economics. E isso tem influência no historicamente baixo indíce de produtividade em Portugal e na capacidade dos transitários responderem aos desafios que os esperam.

A colaboração é a única resposta sustentável para o futuro e foi a nota dominante do segundo (e último) dia do 17º Congresso da Associação dos Transitários de Portugal. Reunidos no auditório do museu municipal de Portimão, os principais nomes do sector debateram pontos de vista distintos e concordaram na importância de promover mais sinergias. O que também só é possível com um "permanente desenvolvimento das infraestruturas" de transporte, algo que na opinião do presidente da direção da APAT, Paulo Paiva, está a falhar.

Apesar de Dalila Tavares, diretora regional de transportes da Luís Simões, acreditar que "para quem trabalha em logística, o conceito de parceria não é novo", o country manager da TAP Cargo, Bruno Aires, é da opinião que uma colaboração mais aprofundada exige "uma mudança de mentalidade por causa da questão da confiança."

"Pirataria e ataques digitais obrigam a uma resposta concertada", defende o antigo ministro da defesa, José Pedro Aguiar Branco, para quem os desafios colocados a estas empresas obrigam à "construção de um modelo novo." Que terá simultaneamente a difícil tarefa de garantir que continue a haver competição e seja "win-win para todos", lembra o administrador do Grupo Sousa, Duarte Rodriges.

Para Nuno David, diretor-geral da Yilport, é necessária uma "abordagem mais proativa" na troca de informações para garantir maior eficiência. Ainda assim a sub-diretora geral da Área de Procedimentos Aduaneiros da Autoridade Tributária, Ana Raposo, identificou uma "grande evolução" no sector, num painel que contou também com Fernando Gomes, diretor de carga e correio para Portugal da Emirates.

Agências de viagens

É essencial "minimizar os tempos de resposta", lembra Vítor Guimarães, diretor de operações da Brasmar, que foi um dos convidados a discutir estratégias para a captura de valor económico, juntamente com a professora da Universidade Católica Portuguesa, Cristina Silva.

Estratégias que devem ter em conta a mudança de mentalidade dos consumidores. "Querem receber as coisas diretamente em casa", garantem André Costa e Ricardo Leonardo, diretor financeiro e consultor de gestão estratégica da ISCTE Junior Consulting, respetivamente. O que obriga os transitários a desenvolverem novas alternativas na "passagem do transporte unimodal para o multimodal" defende Moreira da Silva, sócio da SRS Advogados.

Como mencionou o comediante Dário Guerreiro na sua performance durante a tarde, os transitários querem ser uma "agência de viagens para mercadorias" cada vez melhor. No final de dois dias de trabalho intenso, a certeza é que a procura por novas formas de acompanhar um mundo em mudança continua. Para o presidente da Autoridade da Mobilidade e dos Transportes, João Carvalho é claro que "temos que fomentar este sector digital altamente inovador."

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