rr.sapo.ptOpinião de João Ferreira do Amaral - 11 out 08:22

Lições da História

Lições da História

O mundo não pára e, por isso, os contextos históricos são únicos e muitas vezes insusceptíveis de se equacionarem entre si. Mas a verdade é que, apesar disso, na ausência de possibilidade de experimentação em laboratório para grande parte das ciências sociais, a História é a única fonte de factos que nos permite, pelo menos, ajudar a compreender os fenómenos socais contemporâneos.

Confesso que sou bastante céptico relativamente às chamadas lições da História. Na maior parte dos casos, a comparação entre períodos históricos diferentes é forçada. O mundo não pára e, por isso, os contextos históricos são únicos e muitas vezes insusceptíveis de se equacionarem entre si.

Mas a verdade é que, apesar disso, na ausência de possibilidade de experimentação em laboratório para grande parte das ciências sociais, a História é a única fonte de factos que nos permite, pelo menos, ajudar a compreender os fenómenos socais contemporâneos.

Vem tudo isto a propósito de um tipo de fenómenos de que a História está repleta: um Estado (ou o que lhe equivalia em tempos mais remotos) na situação de perda iminente de autonomia face à ameaça de domínio por parte de outro poder paga a este uma soma de dinheiro ou dá-lhe qualquer outra vantagem económica em troca do respeito pela sua autonomia.

O que já é bastante mais raro e extraordinário é o contrário: um Estado ceder toda ou parte da sua autonomia em troco de uma vantagem económica imediata. Não falo aqui de eventuais elites corruptas que se deixam comprar secretamente pelo invasor, fenómeno infelizmente muito frequente. Refiro-me, antes a uma decisão institucional e tomada às claras.

Pois foi isso que sucedeu com a nossa adesão à moeda única: entrámos em troca de uma vantagem económica imediata (um grande aumento dos fundos estruturais) sem pensar que estávamos a perder instrumentos essenciais para podermos reagir com êxito aos choques da globalização. O resultado é conhecido: duas décadas de estagnação económica, uma dívida externa e uma dívida pública brutais e a mais completa impotência para reagir face a uma crise internacional que possa surgir.

Um caso como é este é excepcional na História. Mas há outros casos mais frequentes que lhe são próximos e que invariavelmente acabam mal: a cedência de autonomia por facilitismo e falta de orgulho nacional.

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