rr.sapo.ptOpinião de Henrique Raposo - 11 out 08:15

A defesa do ambiente: são os jovens consequentes?

A defesa do ambiente: são os jovens consequentes?

A par com o mundo.

Gosto de ver os “jovens”, essa vaga definição onde alguns ainda me colocam, empenhados na defesa de uma causa tão nobre como a conservação da Criação. Não cedo ao cinismo que paira sobre estas manifestações. Ainda bem que os jovens, tão afastados da política e do espaço público, encontram aqui uma causa republicana.

Existe porém o óbvio perigo de tudo isto não passar de uma moda ou de um mero discurso sem consequências reais. Não serve de nada entrarmos em manifs se mantivermos os hábitos consumistas de sempre. Estão os jovens disponíveis para comprar sapatilhas de couro (que duram uma década) e não de plástico (que duram um ano)? Ou seja, são animalistas ou ecologistas? Estão os jovens das cidades disponíveis para uma compreensão do mundo rural? Estão os jovens disponíveis para pegarem em enxadas e sachos? Estão os jovens disponíveis para aproveitar qualquer pedaço de terra da família (logradouro, jardim, quintal, horta, quinta) para produzirem os seus próprios alimentos, as suas próprias hortaliças e a sua própria carne? Estão os jovens disponíveis para comer coelho, uma carne com reduzida pegada carbónica? Estão os jovens disponíveis para trocar o hambúrguer de vaca pela carne ossuda do coelho? Estão os jovens disponíveis para fazerem menos viagens de avião? Sim, os jovens têm de escolher: ou estão com o ambiente ou estão com o turismo. Estão os jovens disponíveis para comprarem menos telemóveis e menos peças de roupa? Estão disponíveis para usar camisolas velhas e com borboto?

Acolho com alegria o ativismo dos jovens. É bom vê-los fora das bolhas ultra-individualistas criadas pela net e pelos telemóveis. Mas este ativismo não pode ser discursivo ou para o instagram. Para praticarem um ambientalismo consequente, os jovens têm que ser mais conservadores e austeros nos seus hábitos. Estão disponíveis para isso?

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