rr.sapo.ptOpinião de Francisco Sarsfield Cabral - 11 out 08:20

Mudanças na economia

Mudanças na economia

Os socialistas, agora, prezam as “contas certas”. Mas não são de esperar reformas que travem o abrandamento da economia.

A grande mudança, que deu aos socialistas uma maioria (mas não absoluta) nas eleições de domingo, foi o seu governo ter, agora, uma imagem de “contas certas”. Segundo o Conselho das Finanças Públicas (CFP), o governo de A. Costa e M. Centeno conseguirá, pelo quarto ano sucessivo, ir além das metas de Bruxelas.

Aquele Conselho prevê, já para 2019, um excedente orçamental de 0,1% do PIB, enquanto a previsão governamental é de um défice de 0,2%. E o CFP diz que as contas públicas deverão apresentar saldos positivos até 2023. Para um país, como Portugal, que, em democracia, não conseguiu durante décadas apresentar excedentes orçamentais, esta é uma mudança importante. Oxalá se mantenha.

Uma outra mudança, essa menos simpática, é a descida de preços. O Instituto Nacional de Estatística confirmou ontem que setembro foi o terceiro mês consecutivo em que o índice de preços no consumidor baixou face a igual mês de 2018.

Então preços mais baixos não são uma boa notícia para os consumidores? Se essa tendência para a descida de preços se reforçar – teríamos a chamada deflação – as consequências para a economia serão perigosamente negativas. O perigo da deflação parece inverosímil numa economia como a nossa, que viveu tantos anos com altas taxas de inflação, mas é real. Os consumidores adiam compras, esperando preços mais baixos, as empresas desistem de investimentos que deixariam de dar lucro com preços em queda – instala-se a estagnação.

Ainda não estamos aí, felizmente, mas o Banco de Portugal (BP) informou ontem que o crescimento económico vai continuar a abrandar, apesar da recente revisão em alta, pelo INE, dos números do PIB. Sublinha o BP que a atual conjuntura económica nacional se insere “num contexto de deterioração do enquadramento internacional e de elevada incerteza”. O que reforça a importância de “políticas e reformas estruturais que contribuam para a correção das principais debilidades da economia portuguesa”. Nessa área essencial, desgraçadamente, não é sensato qualquer otimismo.

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