visao.sapo.ptRicardo Araújo Pereira - 11 out 08:15

Fisioterapia política

Fisioterapia política

Trump terá usado o poder do seu cargo para solicitar a intervenção de uma potência estrangeira nas próximas eleições americanas. Ou seja, fica desmentido que Trump resista à entrada de estrangeiros nos Estados Unidos: não só os acolhe como deseja que eles participem activamente na vida política da América

Ilustração: João Fazenda

Sabemos que o mundo está em boas mãos quando o debate político reproduz, talvez com um pouco menos de sofisticação, as conversas sobre futebol. Falta na nossa grande área? Não me pareceu. Falta na grande área deles? Penalty! Por exemplo: Hillary Clinton usou o e-mail errado para as suas comunicações. Penalty! Donald . É um exemplo muito refrescante de concessão de cidadania plena a naturais de outros países.
A melhor defesa de Trump é enviar ao Congresso a declaração que todos os homens fazem quando são apanhados por causa de actos que foram apanhados a cometer através do telefone: “Querida, isto não é o que parece.” Só por muita má vontade o congresso não aceitará essa justificação sincera. Sobretudo se, a seguir, Trump oferecer um anel ao congresso, para encerrar o assunto.

Trump talvez tenha feito coisas ilegais, mas pelo telefone da sala oval, que é o canal certo. Hillary Clinton pode não ter feito nada ilegal, mas comunicou pelo seu e-mail pessoal, que é o canal errado. Vamos concordar em dizer que se trata de um empate e não se fala mais nisso.

(Crónica publicada na VISÃO 1387 de 3 de outubro)

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