www.jornaldenegocios.ptMarco Domingues - 9 out 19:05

A inspiração das crianças no desenvolvimento local

A inspiração das crianças no desenvolvimento local

As crianças e os jovens estão atentos e têm um sentido de justiça extremamente apurado. Se os escutarmos, compreendemos a premência de promover a cooperação e solidariedade num sistema que valoriza em demasia o individual e a competição.

No movimento do desenvolvimento local acreditamos que parte dos problemas sociais, económicos e ambientais tem origem numa forte crise de valores, o que exige uma atuação sistémica e promotora da mudança a partir da educação comunitária. Um provérbio africano alude que "para se educar uma criança é preciso toda uma aldeia". Entre nós, acrescentamos, adaptando um outro provérbio, de origem asiática, que ela deverá ser escutada, sentir-se como igual, participar nas decisões e aprender a construir a sua rede para nunca pescar sozinha e nem mais do que necessita. Destaco a canadiana Severn Cullis-Suzuki, fundadora da ECO - Environmental Children’s Organization, a primeira criança inspiradora a ser escutada, então com 12 anos, na conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, no Rio de Janeiro, em 1992, onde apresentou um discurso emotivo perante os vários líderes mundiais sobre os impactos da poluição nos ecossistemas e na vida humana. Em 2013, a ativista paquistanesa Malala Yousafzai, Nobel da Paz em 2017, aos 17 anos, tornou-se uma referência mundial ao defender a importância da educação para todas as crianças.

Recentemente, vimos e ouvimos Greta Thunberg, que em 2018, com 16 anos, após a Suécia ter sido assolada por graves incêndios e ondas de calor históricas, promoveu uma greve à escola pelo combate às alterações climáticas, mobilizando professores e colegas. É aqui que realço a importância das dinâmicas de muitas associações de desenvolvimento local no contributo para a educação comunitária, envolvendo crianças e jovens nas suas ações, despertando consciências e novas lideranças, dando voz às suas preocupações e criando condições para que a inovação societal aconteça nas comunidades onde vivem.

Entenda-se a inovação societal como o processo de transformação de sociedade através de novas práticas de alerta, manifestação e cooperação entre setores que levam à mudança das comunidades e da sociedade em geral. Greve à escola pelas alterações climáticas é sem dúvida uma inovação, no sentido da inversão das relações de poder e liderança, em que os alunos lideram a comunidade educativa, no sentido de responderem às suas e "nossas" necessidades, alertando para a necessidade de novas aprendizagens de vivência e respeito para com todos os seres vivos numa mesma casa comum. É também um duplo alerta, para os impactos das alterações climáticas e para a necessidade de uma educação integral e sistémica, em que é importante uma educação comunitária, intergeracional e intersetorial, construída com base na coerência entre a visão do mundo que ambicionamos e as ações que executamos.

É indispensável uma educação comunitária para a economia social e solidária, setor que defende a "casa e bens comuns", a dignidade e a igualdade, a justiça e a sustentabilidade. As dinâmicas de desenvolvimento local são cada vez mais "com" as crianças, dando-lhes voz e oportunidade de organização coletiva e de relacionamento com o poder local, gerando novas formas de participação, de decisão e de democracia, em que, a sustentabilidade da nossa casa comum passa a estar no centro das decisões. 

Curso de Gestão e Dinamização Associativa

Inicia-se no próximo dia 19 de outubro, a segunda edição do Curso de Estudos Avançados em Gestão e Dinamização Associativa.

Trata-se de uma iniciativa da Confederação Portuguesa das Coletividades de Cultura, Recreio e Desporto, em parceria com a Universidade Lusófona, que visa a formação de dirigentes associativos. O curso terá 13 módulos, que versarão temas como legislação, governação, fiscalidade, comunicação, liderança e gestão das emoções, que serão desenvolvidos ao longo de 13 sábados, entre outubro de 2019 e o início de maio de 2020, nas instalações daquela universidade, no Porto e em Lisboa.

Mutualismo, uma resposta de proximidade

Com o lema "Mutualismo - uma resposta de proximidade", a Associação Portuguesa de Mutualidades (APM-RedeMut) realiza, no dia 25 de outubro, em Coimbra, a sessão comemorativa do Dia Nacional do Mutualismo.

A cerimónia terá lugar nas instalações da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro e do seu programa consta uma homenagem póstuma a Jorge de S��, e a intervenção de especialistas sobre três temas: Breve história do mutualismo; a economia social e o desenvolvimento local; mutualismo, uma resposta de proximidade: partilha de boas práticas. Mais informações em http://apmredemut.pt/.

Presidente da ANIMAR - Associação Portuguesa para o Desenvolvimento Local e docente na Escola Superior de Educação de Castelo Branco

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