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Porto das Lajes das Flores reabre com cais mais pequeno que sobreviveu ao “Lorenzo”

Porto das Lajes das Flores reabre com cais mais pequeno que sobreviveu ao “Lorenzo”

A porto das Lajes das Flores, nos Açores, ficara inoperacional na sequência da passagem do furacão Lorenzo, sendo que a solução passa por utilizar o cais destinado ao tráfego local.

A Secretaria Regional dos Transportes e Obras Públicas do governo regional dos Açores anunciou esta quarta-feira a reabertura do Porto das Lajes das Flores à navegação.

A utilização do cais -5 (destinado ao tráfego local) no porto das Lajes das Flores é a solução encontrada para garantir o abastecimento às ilhas do grupo Ocidental dos Açores, após o cais comercial daquele porto ter ficado destruído na sequência da passagem do furacão Lorenzo pelo arquipélago.

O cais -5, tal como o nome indica, tem uma profundidade de cerca de cinco metros e é habitualmente destinado a embarcações mais pequenas de tráfego local ou de transporte de passageiros. “Felizmente, ainda ficamos com um cais disponível e temos vindo a trabalhar para que ele fique operacional para abastecimento”, disse ao PÚBLICO Miguel Costa, Presidente da Portos dos Açores, empresa que gere as estruturas portuárias na região, confessando que se esse cais também tivesse sido destruído as “complicações iriam ser muito mais graves em termos logísticos”.

A previsão é que o abastecimento seja feito por embarcações mais pequenas (de tráfego local), que obrigará uma maior regularidade: se a ilha das Flores era habitualmente abastecida quinzenalmente, durante o período de operação dessas embarcações, “provavelmente o abastecimento terá de ser semana a semana”.

A ilha das Flores ficou sem capacidade de receber abastecimento por via marítima, desde que o Lorenzo atravessou a região, na madrugada de dia 1 para 2 de Outubro. O governo regional dos Açores avaliou esta quarta-feira a situação junto da autoridade marítima e portuária, avançava já esta terça-feira Miguel Costa. “Amanhã [esta quarta-feira] provavelmente poderemos ter boas notícias”, avança Miguel Costa, deixando a garantia que, no máximo, “até final de semana teremos garantidamente boas novidades em relação à operacionalidade do porto”.

Após a passagem do furacão, uma equipa da Portos dos Açores “mobilizou todos os meios da ilha” para garantir a “limpeza na zona envolvente ao cais”, que está “praticamente concluída”. Também foram retirados os detritos que caíram ao mar e que impediam a circulação de embarcações, como “muros, pedras de grande porte, algumas embarcações e contentores”. Neste momento, a equipa liderada por Miguel Costa, procura desobstruir o acesso ao cais, “demolindo grandes blocos que impedem o acesso”. “Agora já se parece com um porto, antes parecia um cenário de guerra”, descreve.

Ainda assim, o presidente da Portos dos Açores alerta que estes trabalhos de operacionalização do porto das Lajes das Flores “são provisórios”, porque “depois teremos de fazer um porto novo”. Uma obra que, tendo em conta a situação, será mais “complexa do que o habitual”, porque terá de ser retirado o “que está demolido para depois construir de novo”.

As Forças Armadas também estão no local para auxiliar nas operações. Durante o fim-de-semana, a aeronave C-130 da Força-Área aterrou nas Flores com sete militares, uma tonelada de material hidrográfico, uma equipa de quatro mergulhadores e um veículo submarino. Têm chegado à ilha outros militares e esta quarta-feira estava previsto que o NRP Setúbal (navio da marinha que já estava em missão nos Açores) chegasse à ilha para realizar o abastecimento de bens essenciais.

Prejuízos “bastante significativos” e 25 pescadores em terra

O presidente da Federação de Pescas dos Açores (FPA), Gualberto Rita, revelou ao PÚBLICO que esteve no porto das Lajes para “perceber de perto os prejuízos que o Lorenzo provocou ao sector das pescas”. Além de duas embarcações totalmente destruídas e outras três danificadas, também ficaram inoperacionais vários edifícios de suporte e equipamentos de pescas. O caso mais gritante, segundo o presidente daquela federação, é a destruição da infra-estrutura que permite colocar e retirar as embarcações da água.

“Vinte e cinco pescadores estão impedidos de exercer a sua actividade”, assinala Gualberto Rita, explicando que nesta altura “existe muita abundância de goraz no grupo ocidental”, espécie que “representa cerca 35% do rendimento dos pescadores”. “São prejuízos bastante significativos”, considera.

Por isso, a FPA pede a intervenção do Governo Regional, seja “na questão dos equipamentos que tem de ser resolvida para que os pescadores possam exercer a sua actividade”, quer para “accionar algum mecanismo de apoio financeiro” aos pescadores que, prevê, devem ficar impedidos por “mais de um mês” de irem ao mar.

Gualberto Rita também assinalou que existem “pequenos registos de danos em outras ilhas”, mas “nada de muito significativo”.

O furacão Lorenzo passou a semana passada a 70 km oeste da ilha das Flores com a categoria 2 na escala de Saffir-Simpson (escala vai de 1 a 5, aumentando conforme o grau de intensidade), tendo sido, no total, registadas 255 ocorrências.

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