www.jornaldenegocios.ptFrancisco Mendes da Silva - 9 out 09:10

O maior inimigo da direita é o sectarismo

O maior inimigo da direita é o sectarismo

O caleidoscópio parlamentar veio para ficar. E, no nosso sistema, terá vantagem quem se souber unir. Tudo o resto poderá dar bons discursos, mas será um jogo de soma nula.

Sempre que perde eleições, a direita portuguesa queixa-se dos enviesamentos do "sistema", seja a cultura mediática de esquerda seja o eleitorado dependente do Estado, que em princípio está mais disponível para votar em quem privilegia a distribuição - e não a criação - de riqueza. Mas a direita passa tanto tempo a lamentar esse fado que raramente presta atenção aos enviesamentos que lhe são favoráveis.

Desde logo, há a dispersão territorial do voto: a direita sempre se espalhou mais do que a esquerda por todo o país, especialmente a norte do Tejo, que elege muito mais deputados do que o Sul. Isto é, a direita sempre teve mais força em mais distritos com mais peso.

Em segundo lugar, é bom lembrar que, em muitos regimes democráticos, os sistemas eleitorais são um dos factores mais determinantes dos resultados das eleições. É que uma coisa é o número de votos, outra é a transformação dos votos em mandatos. Em Portugal, o sistema proporcional e o método de Hondt favorecem as coligações. A esquerda até pode ter 60% do eleitorado; se a direita tiver 40%, poderá ter maioria absoluta de deputados.

É claro que, para isso, a direita tem de concorrer unida às eleições. Mas a naturalidade com que a direita portuguesa se pode entender em acordos pré-eleitorais (coisa que nunca aconteceu à esquerda) é outra das vantagens estruturais do campo não socialista.   

Advogado

Artigo em conformidade com o antigo Acordo Ortográfico

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