expresso.ptexpresso.pt - 9 out 18:54

Em 2013 como em 2019: voltam os caixões ao chão de Lampedusa

Em 2013 como em 2019: voltam os caixões ao chão de Lampedusa

Os corpos de 13 mulheres foram recuperados das águas do Mediterrâneo Central na segunda-feira, todos já sem vida. Um barco com pelo menos 50 migrantes virou a menos de seis quilómetros da ilha, quando a maioria dos ocupantes se atirou para a proa para chegar mais rápido à Guarda Costeira, que se aproximava naquele momento. Outras 33 pessoas morreram. Desde a grande tragédia de 2013, na qual 368 pessoas morreram, que não se viam caixões em Lampedusa

Os últimos dias têm sido trágicos na pequena ilha italiana de Lampedusa, o território europeu mais perto da Líbia e da Tunísia e para onde fogem milhares de pessoas por ano.

Na madrugada de segunda-feira, 13 pessoas morreram, 22 foram retiradas da água com vida e outras 33 morreram, depois de um barco com perto de 70 pessoas ter afundado ao largo da ilha. Todos os mortos eram mulheres. Na terça-feira à noite a Guarda Costeira parou as busca, por ser de noite. “O sol pôs-se em Lampedusa, então as buscas tiveram de cessar. As nossas informações mais recentes falam de quase 70 pessoas a bordo do barco desaparecido, entre elas várias crianças, uma de apenas 10 meses e mais duas de três anos. Entre os desaparecidos estão cidadãos da Costa do Marfim, Camarões, Guiné e Tunísia. Apenas alguns dias depois da homenagem aos mortos de 3 de outubro de 2013,voltam os caixões ao porto de Lampedusa e os sinos da igreja dobram pelos mortos. Nada muda. Aqui é sempre 3 de outubro”, escreveu no Facebook Alberto Mallardo, representante da ONG Mediterranean Hope, a única associação presente na ilha todo o ano.

Também Claudia Vitali, membro da mesma organização, descreve ao Expresso “os dias e noites horríveis” que têm assolado a ilha. Com o inverno a aproximar-se, muitas pessoas tentam chegar à Europa antes de as condições climáticas se tornarem muito mais adversas. “A única possibilidade para parar isto é a criação de corredores humanitários, canais legais de pedido de asilo na Líbia e envolver toda a Europa nisso. O mar não é generoso com estas embarcações precárias e agora voltam os caixões às igrejas, às associações cívicas, a qualquer chão livre de Lampedusa, como a 3 de outubro de 2013”.

Prova de que estes fluxos não dão sinal de abrandar chegou logo na terça-feira quando o navio Open Arms resgatou 44 pessoas no Mediterrâneo Central. Entre os migrantes neste barco contam-se pelo menos quatro mulheres e duas crianças.

Ver Twitter

Cerca de 2.500 pessoas chegaram à Itália por mar, partindo do norte da África, só desde o início do mês de setembro. Quase todas embarcaram na Tunísia, geralmente da cidade costeira de Zarzis. As chegadas por via marítima a Itália representam um terço dos 7.637 que desembarcaram desde o início do ano, segundo dados do Ministério do Interior. A rota da Tunísia, embora mais curta que a da Líbia, pode, no entanto, ser mais arriscada. "O objetivo para os que partem da Tunísia é chegar diretamente à costa da Sicília e fugir dos controlos", disse o procurador-geral de Agrigento Salvatore Vella, citado pela comunicação social local. O acordo das autoridades europeias com a Guarda Costeira Líbia faz com que o embarque a partir da Líbia, que continua a acontecer, seja pelo menos um pouco mais controlado do que o é na Tunísia, então as rotas estão a mudar.

1
1