sol.sapo.ptMaria Eugénia Leitão  - 9 out 16:50

«1 dia sem ti, são 24 horas de infelicidade»

«1 dia sem ti, são 24 horas de infelicidade»

A felicidade é, pois, habitualmente, medida em função das nossas expetativas. Se temos expetativas demasiado altas, é natural que nos pareça que tudo fica aquém do que sonhámos e, como tal, nos sintamos infelizes. Pelo contrário, quando tudo corre como gostaríamos, parece que somos felizes.

Esta frase, fotografada pela Ângela, em

No entanto, este tipo de análise, que é a mais comum, parece-me estar desviada do verdadeiro conceito de felicidade. Afinal, como diz Alberto Caeiro: «Nem tudo é dias de sol, / E a chuva, quando falta muito, pede-se. / Por isso tomo a infelicidade com a felicidade / Naturalmente, como quem não estranha / Que haja montanhas e planícies / E que haja rochedos e erva... // O que é preciso é ser-se natural e calmo / Na felicidade ou na infelicidade, / Sentir como quem olha, / Pensar como quem anda».

É muito importante, como diz Alberto Caeiro, tomar tudo com naturalidade, tanto a felicidade como a infelicidade.

Diz, sabiamente, Tolentino Mendonça, em O Pequeno Caminho das Grandes Perguntas: «Vivemos dobrados sobre o restrito, aprisionados a um quotidiano utilitarista e estreito em que a vida perde a sua respiração». E ainda: «Idealizamos de tal maneira o que pode ser a vida que ela arrisca-se a perder o jogo por falta de comparência, sequestrada num plano cada vez mais mental e abstrato». E diagnostica o que está errado nesta análise mental e abstrata: «Não é um problema de conhecimento, é uma questão de olhar». «A vida é o que permanece, apesar de tudo: a vida embaciada, minúscula, imprecisa e preciosa como nenhuma outra coisa. O tesouro é a vida em si: o real do viver, a existência não como trégua, mas como pacto, conhecido e aceite na sua fascinante e dolorosa totalidade».

A «vida embaciada» é efetivamente a vida, aquela que acontece todos os dias, e a felicidade passa por saber aceitá-la tal como ela é. Assim saibamos ser felizes com a vida que temos, guiando-nos por um destino que nos oriente, porque sem um destino é muito difícil navegar…

Maria Eugénia Leitão

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