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A vitória de Freitas do Amaral

A vitória de Freitas do Amaral

Sem a capacidade de Freitas do Amaral a mobilizar o centro e a direita, na campanha presidencial de 1986, dificilmente o PSD de Cavaco ganharia embalagem para a primeira maioria absoluta - Opinião , Sábado.
Acampanha presidencial de 1986 marcou o fim do ciclo pós-revolucionário, em que Portugal se dividia radicalmente entre esquerda, extrema-esquerda, direita e extrema-direita. Freitas perdeu por menos de 150 mil votos, Mário Soares foi consagrado como o grande vencedor, não apenas dessa eleição, mas do próprio 25 de Abril de 1974. Soares bateu a direita, agregou a esquerda democrática e obrigou comunistas e extrema-esquerda a reconhecer que a utopia marxista-leninista acabava ali.

O mapa político mudou radicalmente, mas foi obra de vencedor e perdedor nessas já longínquas presidenciais. No imediato, arriscaria dizer que o papel do perdedor foi tão importante como o do vencedor. Soares voltou a unir o País, dissolvendo grupos de eleitores vencedores e perdedores. Mas Freitas foi o fundador da direita democrática. Freitas do Amaral perdeu mas devido a essa "normalização" da ideia de direita, que era literalmente metade do País eleitor, Cavaco ganhou. Sem a sua capacidade de mobilizar o centro e a direita dificilmente o PSD de Cavaco ganharia embalagem para a primeira maioria absoluta. Cavaco ficou com a glória do poder e da história ao passo que Freitas ficou com o peso das dívidas da campanha, devido a uma falta à palavra dada, com a assinatura do PSD de Cavaco, que entra para os anais da infâmia política. capa Assine já a Sábado digital por 1 euro para ler este artigo no ePaper ou encontre-o nas bancas a 09 de outubro de 2019.
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